Pano para calças

Autor: António Pinheiro  /   Novembro 19, 2020  /   Publicado em Passa-se isto assim assim

António PinheiroHá coisas que têm que ser ditas de uma vez só, ao correr da pena, sem parar para pensar. Saem da Alma e, como tal, têm que ser escritas como são sentidas. O escritor não pode ficar refém da auto-crítica. Sente: diz!

E eu não posso ficar calado perante este fenómeno. Melhor dito: ando há demasiado tempo calado.

Hoje foi a gota de água.

Aconteceu esta tarde, como aconteceu tantas vezes e vai continuar a acontecer, se ninguém puser cobro.

Estava eu a circular no meu local de trabalho e, ao passar pela zona de atendimento “COVID safe” lá estava um cliente, agachado, exibindo mais de 50% dos seus bem peludos glúteos.

Não era um simples “cofrinho” como dizem os brasileiros que, nalguns casos, até pode nem chocar assim tanto, e que pode acontecer a qualquer um, num dia em que nos esquecemos do cinto, ou não acertamos na medida das calças.

Era um homem com o rabo, literalmente, de fora.

Sempre que me deparo (vezes de mais) com este exibicionismo negligente há duas questões que me assolam a mente:

1 – Porquê? (ler este “porquê” em tom entre o desespero e a dor)

2 – Esta gente não sente que está com o rabo à mostra? Não sabe?

2.1 – Se sente, se sabe, porque não tapa? Porque não usa cinto? Porque não experimenta a roupa antes de a comprar?

Confesso: gosto de usar calças de cintura descida e a mim também me acontece, uns milímetros, quando ando mais descontraído em casa. É motivo de graçola da minha mulher e do meu filho. Mas é em casa… Leram bem? Em CA-SA! (e, mesmo assim, fico “sem jeito”).

Agora… em público? Em todo o lado? Parece o raio do slogan de uma conhecida rádio mainstream.

Já apanhei na estrada motoqueiros, com o rego tão à mostra, que “dava para ver a pelugem a oscilar com o vento”. Será que faz parte do sistema de refrigeração da mota?

E nas obras? E nas oficinas? E… Ó pá… arranjem pano para as calças!

Sobre António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.
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