Massa e saúde cardiovascular

Autor: Filipa Vicente  /   Maio 20, 2019  /   Publicado em Alimentação, Notícias  /   Sem Comentários

Massa e saúde cardiovascularNo mês passado falámos da importância da massa no controlo do peso e da gordura corporal, em Maio celebramos o mês do Coração. Os cuidados na alimentação são determinantes em 4 dos 6 fatores de risco.

Tempo de leitura: 2 minutos

No entanto, este não é mais um artigo a dizer o que não pode comer, em vez disso trazemos novidades frescas de como pode melhorar a sua saúde cardiovascular com um bom prato de massa.

A doença cardiovascular é a causa de morte em 30% dos casos em Portugal, tem vindo a descer fruto das diversas iniciativas de prevenção mas também dos avanços científicos em matéria de terapêuticas farmacológicas dos fatores de risco. Ainda assim, devemos ter consciência de que é um grupo de doenças em que a prevenção tem um enorme potencial uma vez que os fatores de risco são sobretudo de natureza comportamental.

São fatores de risco para a doença cardiovascular:

  • Excesso de peso

  • Hipertensão arterial

  • Hipercolesterolémia

  • Sedentarismo

  • Ingestão excessiva de bebidas alcoólicas

  • Tabagismo

A hipercolesterolémia é um fator de risco com elevado peso nesta doença e em que a alimentação pode intervir de forma mais significativa. Não se trata de fazer restrições mas sim de adicionar componentes bioativos que podem ajudar a reduzir os níveis de colesterol total e especificamente os de LDL.

Uma das estratégias nutricionais que mostrou até à data maior evidência em reduzir estes parâmetros foi a introdução de fibras solúveis presentes em cereais como a aveia, o centeio e a cevada. Dentro destas fibras, incluem-se os beta glucanos, uma fibra solúvel e viscosa presente sobretudo na aveia que já tinha sido apontada como um cereal muito interessante na redução dos níveis de colesterol e do risco cardiovascular 1,2,3.

O mecanismo que justifica a redução dos níveis de colesterol não está totalmente esclarecido mas estas fibras são conhecidas por induzir alguns fenómenos interessantes numa perspetiva do metabolismo do colesterol4:

  • Prolongam o esvaziamento do estômago inibindo o transporte de triglicéridos e colesterol pelo intestino;

  • Reduzem a absorção do colesterol através do lumen intestinal;

  • São fermentáveis, levando à produção de ácidos gordos de curta cadeia nomeadamente o ácido propiónico conhecido inibidor da HMG-CoA redutase, a enzima responsável pela síntese endógena de colesterol.

No entanto, uma das dificuldades que os nutricionistas encontram frequentemente é a introdução destas fibras na alimentação sem prejudicar a variedade, um princípio essencial num padrão alimentar equilibrado. A adição dos beta-glucanos a um alimento apreciado por muitos como a massa pode por isso ser uma aposta ganha.

Os cereais integrais são no geral ricos em fibra, no entanto nem todas as fibras são iguais, embora ricos nutricionalmente e benéficos para a promoção da saúde, interessa-nos ter uma intervenção específica e que possa ser mais eficaz concretamente neste objetivo.

A dose certa?

Na mais recente meta análise sobre o efeito dos beta glucanos na melhoria dos indicadores bioquímicos para a saúde cardiovascular, uma dose de 3,5g de beta glucanos por dia revelou ser eficaz para reduzir os níveis de LDL5. Esta é a dose encontrada em 100g de massa integral Milaneza com fibra de aveia.

Deixamos aqui uma receita perfeita para começar a alimentar o seu coração com todo o sabor

Referências

1 J Am Diet Assoc 2005; 105: 967-970

2 Lipids Health Dis 2017; 16(1): 71

3 Nutr J 2012; 11:54

4 Food Funct 2010; 1(2): 149-155

5 British Journal of Nutrition 2016; 116: 1369–1382

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