Salomon Speedcross 5: redesenhar uma lenda

Autor: Vitor Dias  /   Fevereiro 27, 2019  /   Publicado em Equipamento, Notícias  /   Sem Comentários

Salomon Speedcross 5: redesenhar uma lendaA Salomon vende hoje em dia mais de um milhão de sapatilhas Speedcross por ano. Esta é a história de como a equipa de design de calçado da Salomon criou a nova Speedcross, regressando às origens.

A Speedcross 5 transcende as fronteiras do mundo desportivo e apresenta um design mais urbano e um rendimento mais cómodo e com maior aderência, um rasto proeminente e um módulo de sola maior.

A Speedcross da Salomon não é uma sapatilha qualquer. Converteu-se num ícone da Salomon, com mais de um milhão de sapatilhas vendidas por ano. 2019 dá as boas-vindas à Speedcross 5, uma nova versão que apela às origens mas com um rendimento melhorado. Esta é a história de como se redesenhou uma lenda.

Philippe Besnard é o diretor geral de ciência desportiva em design de calçado e inovação. Ao lhe perguntarmos pelo processo de design que há por trás da nova Speedcross 5, conta que a sua equipa voltou ao «código fonte». Quando Philippe pronunciou as palavras «código fonte», as pessoas do Annecy Design Center (ADC) da Salomon olharam-no com curiosidade, pressionando Besnard a explicar em detalhe o que isso significava, saltou da cadeira e correu até a um quadro branco e começou a rabiscar (é uma pessoa apaixonada, que geralmente faz este tipo de coisas).

«O código fonte é a origem fundamental da sapatilha, a essência», conta. «A sua definição é única. A sapatilha pode evoluir a partir daí, mas a essência nunca mudará. Apenas observando a forma atlética e o rasto agressivo da Speedcross, sabes que estará preparada para qualquer fenómeno externo. Sabes que se agarrará bem ao terreno e que será ágil graças ao seu rasto proeminente. É como um pneu de motocross, não tem limites. E não podes retirar o rasto da Speedcross porque a sua habilidade para se agarrar ao terreno é parte do código fonte». Besnard crê que o código fonte de qualquer produto (seja uma sapatilha ou um telemóvel) não muda, está convencido que a tecnologia que melhora o produto pode e deve evoluir. «A tecnologia permite-nos levar o design um passo mais à frente, afirma. «É a implementação».

A Salomon vende hoje em dia mais de um milhão de sapatilhas Speedcross por ano. Mas como acontece na história de qualquer produto que teve êxito durante muito tempo, a sapatilha teve que evoluir para continuar a ser popular. De facto, quando os designers de calçado da Salomon trabalharam na criação da quinta geração da Speedcross, havia o risco de continuar com o status quo. O desafio de Besnard e da sua equipa de designers era engrandecer a sapatilha com uma forma nova e moderna. “Precisávamos que a Speedcross fosse ainda mais Speedcross”, diz ele sem rodeios. «É um ícone. Nós sabemos. É por isso que precisávamos de torná-lo efetivo de maneira simples, mas com maior expressividade».

Um design que transmite emoção

Como resultado, a Speedcross 5 foi desenhada para transmitir mais emoção. O novo design pode ser impercetível para o utilizador, mas o objetivo era imprimir mais força, melhorar a aderência e ampliar as curvas. «Tem mais atitude do que o modelo anterior», assegura Besnard. «Não vou dizer exatamente como o fizemos para que não contem o segredo. Mas tem um perfil mais alto, mais rasto, maior comodidade e adapta-se melhor ao redor do pé, além de um calcanhar mais alto».

Desenvolver uma sapatilha que tem sido popular durante mais de uma década já é toda uma missão. E fazê-lo com a Speedcross ainda era mais complexo, pois nos últimos anos a sapatilha converteu-se num marco entre os utilizadores urbanos e designers do mundo da moda, que hoje a mostram em desfiles de moda em Paris, Milão e outras cidades. Na verdade, muitos estilistas famosos entraram em contacto com a Salomon para colaborar no seu design.

«Anteriormente, as cores eram projetadas para um público desportista, e essas cores tinham de encontrar o seu lugar no estilo e na vida quotidiana», diz Besnard. «Mas atualmente acontece o contrário, desde quem vê desporto a quem o pratica, a linha é tão ténue que não se distingue. Na verdade, se olharmos para o trail running hoje em dia vemos que as pessoas chegam à modalidade tal como são, seja qual for o seu estilo ou o seu código».

Uma vez que as sapatilhas usam-se mais agora do que antes, tivemos que ter em conta um público mais abrangente na hora de decidir que cores se ofereciam. A Speedcross 5 tem de transcender as fronteiras do mundo desportivo.

«O design de rendimento é desportivo», assegura Besnard. «Não estamos a desenhar uma sapatilha da moda para fazer desporto. Graças à nossa inovadora ciência biomecânica desportiva e aos nossos modelos de simulação, acelerámos a melhoria e a rapidez das soluções de rendimento e as tecnologias. Mas o desenho é mais emocional, interessante e inspirador. É um produto menos ornamentado, mas mais atrevido. Se usarmos a analogia com um carro, seria mais como um Land Rover Defender do que como um todo-o-terreno. Recriámos um efeito amor-ódio. Quanto queres agradar a mais pessoas, acabas agradando a menos».

Maior comodidade e aderência

No que toca a rendimento, a Speedcross 5 foi projetada para oferecer maior conforto e aderência, com rasto mais proeminente e um módulo de sola maior. O peito do pé e o calcanhar fornecem mais apoio e não há pontos de pressão ou áreas rígidas. O charme da Speedcross estendeu-se além do núcleo de entusiastas outdoor para os utilizadores urbanos que adoram estilo. Para Besnard, que trabalha no calçado da Salomon há 13 anos, esta foi uma injeção de emoção na hora de reinventar a Speedcross. Claro que sem perder o firme equilíbrio no código fonte.

«Se és um designer jovem, não vais à Porsche para criar uma combinação de Ferrari com Porsche. Vais lá desenhar um Porsche mais novo e genial», afirma Besnard. «Como designers temos dois tipos de entusiasmo. Um é trabalhar a partir do zero e o outro é trabalhar para redesenhar algo e fazê-lo mais empolgante. O último foi o que aconteceu com a quinta geração da uma sapatilha, da qual vendemos milhões de unidades sem que ninguém saiba como o fizemos para melhorá-la».

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