A Badwater da Carla André

Autor: Vitor Dias  /   Julho 26, 2016  /   Publicado em Entrevistas, Mulher Corredora, Slider  /   1 Comentário

carla_badwater_1Esta mulher de 38 anos, gerente bancária de profissão, não vira a cara às adversidades. Aliás ela mesma as procura. Depois de ter este ano terminado a Maratona das Areias (MDS), decidiu enfrentar desta vez as mais altas temperaturas do planeta, participando na Badwater, uma prova com 135 milhas de extensão (217 km) e que é percorrida com mais de 50ºC de temperatura (à sombra) e mais de 70ºC (ao sol).

Falamos com a Carla que nos contou como tudo aconteceu.

Porquê a Badwater?

A Badwater junta dois sonhos, correr nos EUA onde tenho alguém unido pelo sangue (o meu irmao!) e por se tratar de um desafio tremendo. Correr com calor e em ambientes de deserto é algo que me fascina.

Como foi a preparação? Quantos km, quanto tempo e em que condições?

A preparação também foi desafiante dado que devido à minha profissão exigiu uma gestão do tempo muito criteriosa. Opções em cima de opções com o objectivo de seguir um sonho. Tentei correr semanalmente acima de 100 km, fiz algumas viagens para o Alentejo no sentido de poder correr com temperaturas mais elevadas e efectuei treinos na sauna do ginásio. Agradeço ao Holmes Place da Qta da Beloura por permitirem esta minha preparação do desafio.

O que custou mais? A distância ou a temperatura?

Por inacreditável que pareça a temperatura não foi a minha maior dificuldade, o peso de acarretar mais de 200 km nas pernas foi o que mais me custou, em particular na enorme e aparentemente infinita subida final ate Mount Witney.

Que alimentação fizeste durante a prova?

A alimentação foi à base de fruta, geis, sopa, barras e frutos secos.

Quanto tempo paravas?

Tentava não parar mais de 1 a dois minutos cada vez que sentia essa necessidade. No inicio parei muito pouco. No entanto, na parte final as paragens já eram mais longas devido ao cansaço acumulado.

carla_badwater_2É importante a equipa de apoio?

A equipa e a sua qualidade é de extrema importância! Devo o meu sonho à espectacular equipa que levei, o Hugo (meu namorado), o Paulo (meu irmão médico) e o Tun Mestre ( amigo Luxemburguês). Posso dizer que nunca me senti mal com o calor dado que durante todos os piores períodos eles estiveram sempre a meu lado e a refrescar-me. Houve uma coordenação espectacular entre eles e passamos momentos únicos. O sonho é deles também!

Esta prova não é para qualquer carteira… A questão monetária não será uma das maiores razões para haver poucos portugueses a participar? 

A prova tem custos elevadíssimos e isso limita a participação. Para ser possível realizar estes desafios é necessário tomar muitas opções. Assim o fiz para conseguir avançar com o projeto MDS que suportei sem qualquer apoio. E assim o fiz até ter a excelente noticia de uma patrocinador para os meus sonhos – O SNQTB.  Estes desafios são o ar que respiro .. Opções como almoçar no Banco, raramente jantar fora, não ceder as tentações de uns novos ténis ou roupas, relógio só porque é mais moderno quando o que tenho serve…. não fazer inúmeras provas que acarretam elevadissimas despesas de deslocação e custos da prova… são muitas das opções que tomo no sentido de poder dar passos maiores, uma vez por ano! Considero que vale mais uma experiência destas do que fazer e repetir muitas provas… mas como tudo na vida, há que respeitar as opções de cada um, e esta é a minha! Sonhar!

O custo depende do tamanho da equipa que levamos dado que os maiores custos são a viagem, estadia , bem como a inscrição que ascende a 1200€. Estes custos variam muito e dependem das opções que se tomam a nível de estadia e alimentação.

Como é o ambiente entre atletas?

O ambiente é muito familiar com um apoio enorme entre atletas. É a família Badwater!

Pensas-te em alguma altura que não terminarias a prova?

A palavra desistir nunca me ocorreu. Saberia que isso só acontecia se algo grave acontecesse. Sofri mesmo muito no final da prova, mas desistir nunca esteve em cima da mesa. Nos momentos difíceis agarrei-me à fé, a todos quanto me apoiam , e nos exemplos enormes de atletas que terminam as suas provas também com sofrimento.

carla_badwater_3És a única mulher portuguesa que conseguir terminar esta exigente prova. O que significa isto para ti?

Foi especial e um momento de responsabilidade!

Em 2015 terminaste a MDS e este ano a Badwater, duas das mais exigentes provas do planeta. Que aventura virá agora?

Ainda não existe, mas tendo o coração rebelde como tenho, posso afirmar que um novo sonho virá… Não sei ainda é qual o coração escolherá, porque é ele que decide!

24h Portugal 2018

One Comment

  1. SlowRunner 29 de Julho de 2016 20:17

    Excelente!

    Parabéns, Carla!

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