Azores Trail Run 2016 – O ser último

Autor: Vitor Dias  /   Maio 31, 2016  /   Publicado em Crónicas, Notícias, Slider  /   3 Comentários

aztr_vassouraDeito-me e ainda vejo a lama. Nos ouvidos o zumbido do vento da caldeira. O aconchego da cama contrasta com o frio da casa do Flaminio.

Acho que me lembro de cada passo que dei e de cada palavra que troquei com quem tem histórias de vida para contar numa longa corrida contra os tempos limites de passagem.

“Vassourar” uma prova é mesmo assim. Tanto estás com um atleta que fala a tua língua e que mora na tua rua, como estás com outro que fala outra língua e que vem do outro lado do mundo. O Azores Trail Run tornou-se uma das provas mais cosmopolitas do país e isso “me encanta”.

Mesmo quando tens que correr sozinho por teres deixado os atletas que hipotecaram os seus objectivos deixando-se ficar num posto de controlo, a corrida em montanha dá-me um prazer enorme.

Ser primeiro é ter o mérito de ser melhor, de subir ao mais alto lugar do pódio e de trazer o troféu pelo qual lutou. O vassoura não trás prémio mas trás muitas histórias e experiências de vida que não mais vai esquecer.

Mas será a corrida e a montanha o que mais me dá prazer? Não. Não é.

Fazer marcações com quem não conheces e te tornas amigo ao fim de poucos minutos, almoçar num restaurante no outro lado da ilha onde o proprietário, a sua esposa e o cozinheiro se sentam na tua mesa, não te perguntam o que queres comer, trazem os seus pratos e comem contigo o que vão trazendo da cozinha e que levam a mal quando pedes a conta no final, não tem preço. Ficas com sentimentos para o resto da vida por saberes que há pessoas assim. Que são felizes com o que têm e que não precisam de muito para serem felizes.

O que me dá prazer e enche a alma no Azores Trail Run não são apenas as mais belas paisagens que o mundo tem. São as Anas, os Mários e os Joões, as Marlas e as Isas, as Linas e as Floras, os Antónios e os Pires, os Fredericos e os Pedros, os Otávios e os Andrés, os Hélder’s e as Rosanas, as Auroras e as Sandras, os Matthew’s e os Judas, as Amys e as Lindas, os Orlandos e as Lucindas, os Nunos e as Carlas, os Migueis e os Albinos, as Vanessas e as Bárbaras, os Franciscos e os Ruis, os Leonardos e os Manueis, os Vitor’s e os Césares, os Arsénios e as Sónias, os Jorges e as Carlas e todos os Faialenses e Picarotos que se têm cruzado comigo.

Obrigado a todos pelos momentos de felicidade que me têm proporcionado.

Com chuva, sem chuva, com lama ou sem lama as pessoas irão continuar lá e por essa razão o Azores Trail Run é a única prova em que sou totalista e que espero continuar a ser.

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3 Comentários

  1. Carmen Lima 2 de Junho de 2016 15:49

    Prepara-te que em 2017 estou ai 🙂

  2. Vitor Dias 2 de Junho de 2016 15:50

    Olá Carmen

    E garanto-te que nunca mais deixarás de ir.

  3. Pingback: Azores Trail Run 2017 – a ilha fervilha | Correr Por Prazer ®

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