Rui Andrade

Autor: Vitor Dias  /   Dezembro 04, 2014  /   Publicado em Entrevistas, Notícias, Slider
Tags: cães guias, entrevista, hope, rui andrade

rui andradeQuem corre regularmente as mais conhecidas provas de estrada nacionais, certamente que já reparou num atleta que corre com um cão de peluxe na cabeça. Venha conhecer o Rui Andrade, 51 anos, militar da Força Aérea Portuguesa e perceber porque corre ele assim desta forma invulgar, descontraída e engraçada.

Há quanto tempo corre?

Comecei a gostar de correr em 77 ou 78 porque o meu professor de Educação Física todas as semanas reservava 2 das 4 horas semanais para o “crosse”. Competir em provas (na rua) só comecei em 2011.

Como surgiu a ideia de correr com um cão na cabeça?

Surgiu depois de eu “visitar” páginas na net de outras Escolas de Cães-guia para Cegos, em particular as do Reino Unido. Uma das formas mais comuns de “FundRaising” no Reino Unido é a participação em eventos desportivos e é frequente haver voluntários com aquelas fantasias de cão (roupa completa), a partir daí criei uma “Bandeira” e comecei a correr com o emblema da – 2 Run 4 Guide Dogs – na camisola ( a língua inglesa surge porque o sonho era e ainda é, internacionalizar o gosto de “Correr pelos Cães-guia” ).Cedo me apercebi que era só mais uma camisola no meio de tantas outras e um dia bastou perder a “timidez” para criar algo diferente … nasceu então o Boné-Cão mais tarde baptizado HOPE.

Qual o objectivo?

Inicialmente tentei angariar fundos para a Escola mas … não tenho “jeitinho” para estas coisas. Lembrei-me então que poderia continuar a fazer algo que fiz durante o ano em que fui Família de acolhimento de um cão-guia e o objectivo passou a ser “divulgar” o trabalho que a Escola de Cães-guia para Cegos faz e “cativar” curiosos e/ou simpatizantes, sem dúvida que o melhor dos locais era onde as pessoas (eu incluído) estivessem bem dispostas e a fazer algo que lhes dava prazer e satisfação, as “corridas na cidade”.

Esse objectivo está a ser conseguido?

Aos poucos creio que sim ,eu também só comecei a usar o “Boné-Cão” na São Silvestre do Porto em 2013 e consigo sempre fazer novos e Bons Amigos após cada prova … logo na 2ª prova com o Boné-Cão, uma equipa de atletas de Lousada (Lousada Runners) passaram a ser como a minha “Equipa -Talismã”, nas provas que participei este ano estiveram sempre representados, além do carinho e do incentivo que me têm dado é sempre uma alegria o reencontro antes das provas. Tenho conhecido muita gente que além da curiosidade começaram a apresentar propostas para ajudar a divulgar e também com ideias para angariar fundos para a Escola.

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rui andradeComo é que as pessoas podem participar nessa causa?

Existem duas possibilidades de ajudar , a primeira sem dúvida está ao alcance de qualquer um de nós …

Respeito e compreensão. Eu durante um ano fiz-me acompanhar por um Cão-guia em treino e “felizmente” conseguia VER a “má-vontade” com que alguns cidadãos toleram a presença de um cão em locais onde não é habitual, isso permitiu-me imaginar as dificuldades acrescidas que um Utilizador de Cão-guia por vezes está sujeito quando anda em locais públicos. Ao vemos um Cego acompanhado pelo seu Cão-guia devemos lembrar-nos que aquele cão não é uma mascote nem anda a passear … se procurarem na net testemunhos dos Cegos que tem a Felicidade de ter um Cão-guia vão certamente entender melhor.

A outra possibilidade é sem dúvida contactarem qualquer dos elementos do Staff da Escola e apresentarem as ideias ou projectos. Se visitarem a página da Escola (www.caesguia.org) estão lá alguns exemplos das formas como podem colaborar/ajudar a Escola.

Qual a receptividade que a ideia está a ter?

Para quem não sabe o significado do “peluche de labrador com o arnês de guia” eu sou apenas o “atleta com um boneco no boné”, corro e por vezes “arranco” uns aplausos dos espectadores e sobretudo muitos sorrisos … espalhar “alegria” também é uma forma de agradecer a presença dos espectadores nas provas. Quem já conhece a HOPE  sabe que a “missão” dela é que os portugueses saibam que existe uma IPSS, cuja razão de existir é formar cães para guiar Cegos, sendo esses cães no final do seu período de formação entregues aos cegos gratuitamente.

Projectos para o futuro no que respeita a esta iniciativa?

Para já continuar a correr com a HOPE sempre na minha cabeça. Também desejo poder ver um maior número de atletas a correr ou a caminhar com a mesma camisola que eu, solicitando à escola o equipamento (será mais uma forma de ajudar). Mais adiante, organizar uma corrida solidária ( 10 Km ) em Mortágua, para apoiar a Escola e acredito que terei a colaboração da C.M. Mortágua e de todos os Amigos da Escola para “dar pernas” a esta ideia.

Sobre Vitor Dias

Autor e administrador deste site. Corredor desde 2007 tendo completado 54 maratonas em 15 países. Cronista em Jornal Público e autor da rubrica Correr Por Prazer em Porto Canal. Site Oficial: www.vitordias.pt
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2 Comentários

  1. Ricardo Monteiro 4 de Dezembro de 2014 14:31

    Uma pessoa fantástica!!!!! O Rui é um exemplo para todos nós!!!!!!!!

  2. Sónia Marques 3 de Julho de 2015 12:26

    Sem dúvida o Rui é uma pessoa que serve de exemplo, tanto pessoal como profissionalmente. Que as suas iniciativas sirvam de exemplo e de solidariedade!

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