Mitos e verdades em nutrição: Dieta anti-colesterol?

Autor: Filipa Vicente  /   Dezembro 31, 2013  /   Publicado em Alimentação
Tags: aveia, colesterol, feijão, filipa vicente, nozes

Mitos e verdades em nutrição: Dieta anti-colesterol?Frequentemente, o primeiro parâmetro que procuramos nas análises do check-up anual é o valor do colesterol total. Por vezes torna-se quase uma preocupação constante mesmo para pessoas sem antecedentes. E na hora de reduzir o colesterol, a par de uma medicação desnecessária em muitos casos, começam as restrições à mesa. A alimentação torna-se sensaborona e monótona, a lista de restrições parece enorme e mesmo assim procura a fórmula mágica para manter os valores dentro do normal. O que está mal aqui.

Não é possível não ter “colesterol”.

O colesterol é uma substância essencial ao corpo humano, existe e é determinante na estrutura de todas as nossas células sendo vital na sua estrutura e integridade.

 

“Não posso comer alimentos com colesterol”

Os valores de colesterol circulantes são resultante de um equilíbrio entre o colesterol ingerido e o colesterol produzido por isso o colesterol ingerido não é o único determinante do valor em circulação por isso não adianta eliminar um alimento porque tem colesterol.

 

Devo cortar nas gorduras animais e trocar por vegetais?

Durante muito tempo acreditou-se que as gorduras saturadas, presentes nos alimentos de origem animal, aumentavam o colesterol total e o LDL. Por isso, recomendou-se a eliminação da manteiga, menor ingestão de ovos, preferência por carnes magras, etc.

Curiosamente, isso não resolve nada. A maior parte das pessoas que referem na consulta ter o colesterol elevado já comem mais aves do que carne vermelha, trocaram a manteiga por creme vegetal ou mesmo de soja, raramente comem queijos gordos, etc. Ou seja, alguma coisa está a falhar aqui!

A verdade é que não existe uma relação directa entre a ingestão de gordura saturada e os valores de colesterol mas existe sim uma associação pejorativa entre a ingestão de gordura transgénica e o aumento do colesterol. E essa gordura transgénica está presente em muitos alimentos hoje frequentemente ingeridos como sucedâneos de outros.

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Os cremes para barrar já são isentos de trans mas quantas vezes troca o pão por bolachas? Já reparou nos ingredientes dessas bolachas super dietéticas que lhe disseram ser boas? Lá na lista tem um componente chamado: gordura hidrogenada. Pois, é aí que estão as gorduras trans!


E há realmente alimentos que ajudam a reduzir o colesterol?

Pense antes em CONTROLAR os níveis de colesterol e não embarcar na missão herculeana de ter o colesterol tão baixo quando o fisiologicamente possível. Mas sim, a alimentação e o estilo de vida são importantes componentes nesse objetivo. Siga as recomendações base, melhore progressivamente o seu estilo de vida e dentro disso destacamos:

  • Inclua os “feijões mágicos”. As leguminosas como o feijão, o grão,etc. têm uns compostos de nome esquisito mas com efeito muito interessante, a razão da nossa flatulência prende-se com o facto de estas substâncias serem fermentadas no intestino e, além do gás, produzem uns ácidos gordos especiais entre os quais o propionato que inibe a HMG CoA redutase, traduzindo: inibe a enzima que sintetiza o colesterol. Por isso coma leguminosas, em substituição ou complemento do arroz, 2 a 3x por semana (mas não antes do treino!)
  • Aposte na aveia. De todos os cereais presentes no mercado, por melhor rótulo que tenham e por mais ricos em fibra que sejam, nenhum consegue bater a aveia. Porque quando olha para a lista de ingredientes só vê um ingrediente: Flocos de aveia. Agora veja os outros! Além disso, diversos estudos demonstraram um efeito interessante da aveia na redução dos níveis de colesterol total e LDL (o “mau”).
  • Coma nozes! A combinação de fibra, ácidos gordos ómega 3 e diversos minerais tem demonstrado efeitos muito interessantes no controlo dos níveis de colesterol. E substituem muito essas bolachas que come como petisco quando tem fome!

Sobre Filipa Vicente

Nutricionista (CP1369N) e Professora universitária (IUEM). Escreve para o Correr Por Prazer desde a sua criação em 2008. É essencialmente uma facilitadora de escolhas na busca da melhor versão de nós mesmos. Site oficial: www.filipavicente.net
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