Da cabeça aos pés

Autor: Maria João Sá  /   Novembro 21, 2013  /   Publicado em Lesões e Doenças  /   Sem Comentários

Da cabeça aos pésTreinar “da cabeça aos pés” e “com os pés bem assentes na terra”, não dá tréguas às unhas mais resistentes. De facto, a patologia ungueal é comum entre atletas e, por vezes, muito limitativa ou até impeditiva da prática desportiva. Estar atento às suas unhas é mais do que uma preocupação estética, pelo que o auto-exame das unhas para a prevenção e diagnóstico precoce das onicopatias é fundamental!

A expressão clínica deste tipo de patologia é muito variada e a sua etiologia multifatorial. As lesões traumáticas são as mais frequentes, geralmente calçado inadequado ou por hiperextensão reflexa do hállux (dedo grande do pé). As calosidades do dorso dos dedos, bordo dos pés e na própria polpa dos dedos dos pés, estão muitas vezes associadas a mau posicionamento dos dedos ou a malformações do pé. Não menos frequente é o descolamento recorrente distal das unhas, sendo, neste caso, fundamental o diagnóstico diferencial com doenças inflamatórias, nomeadamente as psoriáticas. A unha encravada (onicocriptose) é também uma situação frequente entre os atletas, geralmente por inadaptação do calçado, hipercurvatura das unhas ou incorreto corte das unhas. Uma unha em picotado, com discromia ou com descolamento, parcial ou total, a estriação ou a discromia (alteração da pigmentação) são situações que podem estar associadas a patologia inflamatória como a Psoríase ou o Líquen Plano. Deve estar atento a outros sinais como as bandas pigmentadas ou a destruição da lâmina ou do prato ungueal, pois estão muitas vezes associados a patologia neoplásica.

O diagnóstico diferencial é essencial, pelo que a abordagem médica é indispensável. Secar bem os pés e as mãos após o duche, arejar bem o seu calçado e mudá-lo com alguma frequência são o primeiro passo para combater infeções fúngicas (onicomicoses). As unhas dos pés devem ser cortadas a direito, mas não devem ser cortadas nos dias antes de uma competição! Utilize sapatilhas adequadas ao seu formato do pé e que não sejam um “martírio” nos treinos mais longos. Se frequentemente tem unhas encravadas, hematomas subungueais ou calosidades, poderá beneficiar da observação do podologista e da realização de suportes plantares individuais, não só para tratar mas também para prevenir a recorrência destas situações. E, se as suas unhas estão amarelas ou esbranquiçadas, engrossadas, com estriação à superfície, com verrucosidades, tumefação ou pigmentação persistentes ou com descolamento permanente ou recorrente, não hesite em consultar o seu médico. Para poder correr com “pés e cabeça” e, já agora, com os pés bem assentes na terra, há que cuidar bem das suas unhas!

Correr? Sim! Por prazer? Claro! Com saúde? Sempre!

24h Portugal 2018

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