Síndrome de compartimento anterior

Autor: Joao Carlos Maia  /   Maio 08, 2013  /   Publicado em Lesões e Doenças  /   6 Comentários

Síndrome de compartimento anteriorA síndrome de compartimento é uma condição dolorosa que ocorre quando a pressão dentro da bainha que envolve cada músculo aumenta, diminuindo assim o fluxo sanguíneo, o que impede a nutrição e oxigenação das células musculares e do nervo.

A síndrome de compartimento anterior surge quando o músculo na parte externa da canela (o tibial anterior) começa a sofrer maior pressão devido a um edema contido na bainha que o rodeia.

As síndromes do compartimento podem ser agudas ou crónicas.

A síndrome do compartimento aguda é considerada uma emergência médica, e está geralmente associada a ferimentos graves, como fracturas da tíbia. Sem tratamento, esta lesão pode levar a lesões musculares e nervosas permanentes.

A síndrome do compartimento crónica, também conhecida como síndrome do compartimento de esforço, não é geralmente uma emergência médica. É mais frequentemente causada por esforço associado à prática desportiva, e surge algumas horas após o exercício, em resultado da inflamação causada pelo esforço muscular excessivo.

 

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Na síndrome do compartimento anterior aguda

Uma dor aguda no músculo do lado de fora da perna, geralmente como resultado de um impacto directo.

Diminuição de força muscular ao puxar o pé para cima contra resistência.

Inchaço e sensibilidade na região do músculo tibial anterior.

Dor quando o pé e os dedos são dobrados para baixo.

Na síndrome do compartimento anterior crónica

Dor que aumenta durante o exercício, podendo chegar a impossibilitar a corrida.

Dor alivia depois de um breve descanso, mas volta durante o exercício.

Dificuldade em levantar os dedos dos pés e dos pés para cima.

Dor ao puxar para baixo os dedos e pés.

Se apresentar os sintomas de uma síndrome do compartimento anterior aguda deve dirigir-se imediatamente a um serviço de emergência médica. No casos das síndromes do compartimento crónicas uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da perna são geralmente suficientes para o diagnostico. Um raio-X ou ecografia podem ser pedidos para descartar uma fractura de stress da tíbia ou uma tendinite. Quando a pressão dentro do compartimento muscular aumenta poderá causar tracção sobre o periósteo (anel ao redor do osso), que pode levar a uma condição chamada canelite.

 

Tratamento

O tratamento em fisioterapia, consiste em controlar os sinais inflamatórios, reduzir a dor e aumentar a funcionalidade, através de:

Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé durante longos períodos pode significar um agravamento da sua lesão. Repouse entre 2 a 5 dias da actividade que provocou os sintomas.

Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.

Compressão: uma meia elástica pode ser usada para controlar o inchaço.

Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.

Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.

Massagem de drenagem do membro inferior

Exercícios de mobilização activa do pé em elevação e natação poderão ajudar à recuperação das fibras musculares

Se o paciente apresenta uma história de síndrome de compartimento crónica, que não se resolve com tratamento conservador, que provoca uma pressão no compartimento superior a 30 mmHg 1 minuto após o inicio do exercício ou que apresenta um defeito na fáscia (bainha) do músculo. A cirurgia poderá ser considerada.

A fasciotomia é a cirurgia para esta síndrome, e consiste num procedimento simples que divide a fáscia longitudinalmente ao longo de todo o comprimento do compartimento envolvido. Ou seja, um corte é feito ao longo do comprimento da bainha dos músculos para permitir que a pressão que está a ser aplicada ao músculo diminua. Logo após a cirurgia é aplicada uma ligadura compressiva. O paciente pode precisar usar canadianas por alguns dias. Exercícios de mobilidade activa e passiva devem ser começados de imediato. Assim que a cicatriz tenha fechado, caminhadas e ciclismo são incentivados. A corrida só deve ser retomada pelo menos seis semanas após a cirurgia.

A recuperação completa pode demorar até três meses.

 

Exercícios terapêuticos para a síndrome de compartimento anterior

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da síndrome de compartimento anterior. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

 

Alongamento do compartimento anterior da perna

Ajoelhado, com um rolo no peito dos pés e as costas alinhadas. Baixe o máximo possível a bacia de encontro aos calcanhares. Mantenha a posição durante 20 segundos.

Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 

 

 

 

 

 

Alongamento activo da cadeia posterior

 

Deitado, com um elástico na ponta do pé, com a coxa e joelho dobrados a 90o. Mantenha a tensão no elástico enquanto estica o mais possível o joelho, puxado a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 20 segundos.

Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 

 

 

 

 

 

 

Reforço muscular dos gémeos

 

Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 

 

 

 

 

 

 

Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

 

Gill CS, Halstead ME, Matava MJ. Chronic exertional compartment syndrome of the leg in athletes: evaluation and management. Phys Sportsmed. 2010 Jun;38(2):126-32.

Tzortziou V, Maffulli N, Padhiar N. Diagnosis and management of chronic exertional compartment syndrome (CECS) in the United Kingdom. Clin J Sport Med. 2006 May;16(3):209-13.

Wittstein J, Moorman CT, 3rd, Levin LS. Endoscopic compartment release for chronic exertional compartment syndrome: surgical technique and results. Am J Sports Med. 2010 Aug;38(8):1661-6.

 

Ultra Sanabria

6 Comentários

  1. jayme 5 de Junho de 2013 3:36

    Tenho essa sindrome, gostaria de saber se posso correr 2400 metros sem problemas. E se esses exercicios podem reduzir a dor.

  2. Renato 29 de Março de 2016 7:29

    Pelo que tudo indica, meu caso é de SÍNDROME COMPARTIMENTAL NA PANTURRILHA.

    Normalmente depois de 15 minutos de corrida surge dor insuportável nas panturrilhas, impossibilitando a continuidade. A dor persiste por alguns dias e some. Fico com muita dificultade de caminhar, subir e descer escadas.

    Tenho 52 anos, pratico academia com pesos moderados e com habitualidade. A corrida é uma atividade que me faz falta.

    Estou em Joinville/SC.

    Gostaria de saber se a cirurgia é muito invasiva, grau de risco e o tempo de recuperação. Qual o tempo de internação pós cirúrgico ?

    Quais os exames que precisam ser feitos para ter certeza de que se trata de síndrome compartimental ? Posso encaminhá-los aqui em Joinville e lhe enviar os resultados ? É possível lhe pagar a consulta e fazermos o encaminhamento dos exames à distância ?

    Histórico:

    O problema apareceu por volta dos meus 42 anos.

    Num belo dia saí para nadar com pés de pato. Nadei por aproximadamente 1,5 horas e retornei caminhando pela areia, em torno de 3 km.

    Dia seguinte caminhei por aproximadamente 2km na área e resolvi correr. Depois de 500m veio a dor forte, como caimbra, impossibilitando as passadas. Com muita dificuldade cosegui chegar em casa. Já nem consegui subir/descer escdas, caminhar ficou insuportável.

    Os diagnósticos foram de distenção muscular, fiz fisioterapia. Outras vezes se repetiram e me indicaram fisioterapia.

    Depois disso, nunca mais conseguir correr por mais de 15 minutos.

    Li todo material disponível na INTERNET sobre o assunto e todas as características são de síndrome compartimental porém, também fui aconselhado a afastar as possibilidades de Síndrome do aprisionamento da artéria poplítea e cisto de adventícia de artéria poplitea.

  3. cleuza araujo 31 de Março de 2017 0:11

    boa noite, faz uns 2 anos apareceu na perna esquerda uma dor na parte de fora da canela que as vezes me impossibiliata de andar pra virar na cama preciso dobrar o joelho, senao nao consigo me virar de tanta dor. ja fiz raio X e por ultimo ela esta inchando.
    agradecida.

  4. Andte 17 de Outubro de 2017 4:58

    Estou com dor no musculo da pnturrilha do ldo de fora nãodáp relaxar .o que é?

  5. Andre 17 de Outubro de 2017 5:00

    Dor forte na parte da panturrilha do lado de fora

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