Definindo o Trail Running

Autor: Nuno Caetano  /   Maio 31, 2013  /   Publicado em Notícias  /   6 Comentários
Definindo o Trail Running

Foto: Aurélio David

Não há dúvidas de que a moda do Trail Running pegou.

O calendário de competições é cada vez mais extenso e o número de participantes aumenta exponencialmente a cada mês!

Algumas razões hipotéticas:

– é um desporto mais económico porque é necessário pouco material;

– os corredores de estrada procuram novas sensações e desafios;

– alguns portugueses têm andado a dar cartas a nível mundial com consequente exposição mediática;

– não é tão agressivo para as articulações pois o solo é menos duro.

Será de facto tudo assim tão linear? Pegando nestes e outros pressupostos e evidências, vejamos algumas características e necessidades que a prática do Trail pressupõe:

Biofilia

Biofilia – afetividade emocional inata dos seres humanos para com as demais espécies da Terra.

Em poucas dezenas de anos as aldeias tornaram-se em vilas, as vilas em cidades, as cidades em mega-cidades, de betão. Vivemos “enjaulados” mesmo que não nos apercebamos.

Tal como os restantes animais, viemos da natureza, pura e crua. Lá no fundo o nosso ADN conhece as origens e o nosso organismo reage a isso. Cientistas acreditam que todos temos uma necessidade instintiva chamada “Biofila” – a necessidade de pertencer à Natureza. Essa é a explicação pelo quão nos sentimos bem e relaxados, por exemplo, se nos sentarmos num banco de jardim simplesmente a contemplar, fizermos um piquenique, olharmos pela janela de um edifício lá para fora num dia solarengo (ou mesmo sem ser solarengo!). Porque é o Golfe tão relaxante? Realizar caminhadas? Caminhar pela praia mesmo de inverno?… Porque não haveria de ser relaxante e revitalizante uma modalidade em que corremos por trilhos, entre árvores, saltamos raízes e pequenas rochas sem vermos prédios, carros, só com os ruídos das árvores, água e aves?

Alberto R. Cardona

Estrada = Trilhos?

A transferência da corrida de estrada para trilhos pode parecer mais simples do que realmente é.

De movimentos meramente lineares no alcatrão passamos a laterais, saltos, passada mais curta ou longa, mudanças no ritmo de corrida, inclinações positivas ou negativas derivadas de terrenos com lama, rochas, areia, água, raízes, regos, ramos, folhas, etc!

Estas condicionantes fazem com que as estruturas mio-articulares sejam requisitadas em maior quantidade, amplitude e carga. Pés, tornozelos, gémeos, anca, glúteos e quadríceps facilmente se fatigam nas primeiras experiências, qualquer que seja o teu nível enquanto corredor de estrada.

Além disso, com todas estas alterações à marcha o ritmo cardíaco também não se mantém estável.

Tudo isto é ainda influenciado por variações na postura corporal a adotar mediante cada tipo de terreno, com consequências a nível de fadiga muscular e diminuição da eficiência da oxigenação por respiração deficiente.

Atividades como BTT e Natação podem ser complementares ao Trail, tanto a nível técnico como na prevenção de lesões.

É portanto aconselhada uma preparação adequada antes de nos aventurarmos em desafios off-road. 21km na estrada não são 21km fora de estrada.

Sem deixar rasto

Deixa o terreno conforme o encontraste. Se tens um espírito mais ativo, numa corrida lenta com colegas leva um saco plástico e vai recolhendo algum lixo que encontras – já têm decorrido iniciativas de limpeza deste género por trail runners.

Temos vindo a ouvir pelos atletas e a verificar que por exemplo no BTT o “espírito de respeito já se perdeu”. Já se deixam para trás plásticos das barras e pacotes vazios de géis. Não pode ser este o caminho.

Ao percorrermos as serras deparamo-nos muitas vezes com entulho deixado por quem não quer ser visto, o que também significa que as substâncias podem ser perigosas para os desportistas.

Portanto, não façamos parte de grupo de pessoas que suja.

Devemos também circular pelos trilhos existentes, evitando a destruição e erosão da vegetação e paisagem.

Equipamento

O Trail é uma modalidade mais acessível embora se queres estar adequadamente apetrechado para praticar Trail durante todo o ano serão necessários diversos itens específicos para correr especialmente com vento, frio e chuva.

Os materiais impermeáveis e respiráveis são os mais aconselhados para evitar desconforto e perda de calor. Quanto maior a duração dos treinos e competições, maior a necessidade de termos material adequado.

Alguns itens obrigatórios poderão ser: mochila, manta térmica, apito, corta-vento, copo para líquidos, telemóvel e carregar os seus alimentos. Daqui se vê a necessidade de treinos específicos e regulares de Trail e não apenas treinar junto à praia e depois inscrever-se num Ultra Trail de 50km ou 60km.

Quanto ao calçado, que é o que nos liga ao solo, é importante a utilização de calçado específico. As sapatilhas de Trail são leves para podermos competir e treinar mas possuem reforços laterais para auxiliar na estabilidade e reação dos pés e tornozelos, reforços exteriores para não rasgarem na primeira utilização fora de estrada, assim como um desenhos e reforços específicos de sola para evitar lesões nos pés dada a instabilidade dos terrenos.

"Susana

Segurança

O crescimento exponencial do número de praticantes de Trail em Portugal, veio reforçar a importância da segurança quer em treinos, quer durante a competição.

Os praticantes devem estar conscientes de que o Trail se desenrola em ambiente natural que sofre constantes alterações em função das condições meteorológicas existentes, às quais acrescem ainda os obstáculos criados pela intervenção humana.

Por exemplo na zona Porto, na Serra de Valongo, há diversos poços, provenientes de exploração mineira, com profundidades de 3 a 4 metros. Alguns estão tapados ou sinalizados com fita pelos frequentadores da serra, mas outros não estão. O risco de acidentes é portanto elevado.

A criação da Associação de Trail Running de Portugal vem contribuir para o reforço da segurança, não só através da criação de um seguro individual desportivo vocacionado para a prática desta modalidade, como também através da sensibilização junto dos organizadores de provas para a importância desta questão.

A possibilidade de subscreveres um seguro individual desportivo que cobre todos os teus treinos e provas em todo o Mundo é realmente uma vantagem muito importante.

Para além disso, o acordo que ATRP celebrou com a entidade seguradora permite-te, por um preço muito reduzido, estares seguro todo o ano na tua prática do Trail Running, bem como de outras modalidades como o Pedestrianismo, a Orientação, Corridas de Montanha e BTT.

Torna-te sócio, ajudando a desenvolver o Trail em Portugal e melhorando as tuas condições de treino e competição. Visita o site: www.associacaotrailrunningportugal.pt .

Temos ouvido cada vez mais pessoas proferirem afirmações como:

“Não há palavras para descrever o que é andar pelos montes, ver neve, riachos, aldeias, não ver mais pessoas ou carros!”

Estão certos pois não é suposto traduzir em palavras, mas somente contemplar e sentir.

A receita é simples: Respeitar e Desfrutar.

 

24h Portugal 2018

6 Comentários

  1. Tiago 5 de Junho de 2013 13:31

    Grande artigo Nuno Caetano…
    Gostei muito lêr o teu artigo e realmente o trail está a crescer de dia para dia.

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