Maratona de Boston 2013

Autor: Rui Pinho  /   Abril 16, 2013  /   Publicado em Notícias
Tags: boston, maratona
Tempo de Leitura: 2 minutos

Maratona de Boston 2013É a Maratona popular mais antiga do mundo. Decorre na cidade de Boston, ininterruptamente, desde 1897. Todos os anos são dezenas de milhar que tentam a inscrição na prova. Sendo uma das chamadas “Big Five”, é sem dúvida a mais emblemática, por ir já na 117ª edição.

Já corri algumas maratonas, mas ainda não corri nenhuma das ditas “grandes”. Esse é um acontecimento que deixo para mais tarde. É um daqueles projectos de vida de um corredor, fazer uma maratona mítica, com história, onde somos grandes entre milhares de anónimos.

E num projecto de vida, as pessoas empenham-se. Gastam muitas horas a preparar o momento de cruzar a 26ª milha, ou o km 42, quando olha para o marcador do tempo e vê em quanto se resumiu todo um trabalho de preparação de tão grande e nobre desafio.

Conseguir fazer uma maratona é digno de coragem, determinação e paz. Ninguém corre uma maratona com espírito de vingança, com preocupações na mente ou pressa para ir fazer uma outra coisa qualquer. Numa maratona, tudo se potencia. As emoções são redobradas, a força vem de onde menos se espera e a vontade de acabar supera normalmente todas as fraquezas. São inúmeras as imagens de atletas a acabar as provas com crianças ao colo, ou pela mão, abraçados a alguém que os espera na meta, ou a acenar para aquela pessoa especial que, na bancada, aguardou todas aquelas horas, esperando o concretizar de um sonho, de um culminar de tanto treino e sofrimento, com tempo roubado a quem tanto apoia.

Foram estes os momentos que aquelas explosões roubaram.

Roubaram momentos, vidas, pedaços de corpos, sonhos e futuros. A imagem de um jovem com a perna desfeita numa cadeira de rodas é impressionante.

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Porquê?

Perdoem-me a pouca vontade de rir com o humor negro de alguns idiotas, e a imensa vontade de lhes dar umas valentes chapadas, mas aquilo é o que de mais vil e cobarde se pode perpetrar.

E quando me dizem que o Mundo é insensível ao sofrimento que se vive na Síria, às guerras no Iraque ou Afeganistão, ou à fome na Índia, eu respondo que, ninguém busca o inferno para entrar num paraíso. Mas numa maratona, muitas vezes se passa um inferno para atingir o paraíso (meta). E foi isso que roubaram ontem.

Hoje continuamos a correr. É essa a lição que damos aos que querem vencer-nos pelo terror.

Publicado em Tripas e Nortadas

Sobre Rui Pinho

Ultra maratonista por paixão, Presidente da ATRP por missão. Relata a viagem que começou há 12 anos, de uma luta que começou nos 137 kg e que espera levar, pelo menos, até às 137 maratonas.
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