Como tratar uma inflamação

Autor: Aldina Rodrigues  /   Dezembro 13, 2012  /   Publicado em Lesões e Doenças  /   13 Comentários

Como tratar uma inflamaçãoAs doenças inflamatórias crónicas são cada vez mais frequentes. Explorar os fatores causadores e corrigir hábitos de vida é essencial.

A Inflamação (do latim Inflammatio: acender fogo) é a forma pela qual se manifestam muitas patologias. Identifica-se em medicina como “ite” (faringite, conjuntivite, colite…). Para a sua definição clínica utilizava-se primariamente o fatores enunciados por Celsos:

Calor – Aumenta da temperatura da zona em causa. Que se deve à vasodilatação e ao incremento do consumo local de oxigénio

Rubor – Zona vermelha, por fatores de vasodilatação e aumento de pressão

Tumefação – Aumento do líquido intersticial e formação de edema

Dor – por libertação de substâncias que os recetores da dor

Perda de função (foi introduzido mais tarde por Rudolf Virchow)

Segundo John Huntter (1793) ”a inflamação não é uma doença é uma resposta in específica que produz um efeito saudável no organismo em que tem lugar”.

Virchow não só definiu a perda de função como também a inflamação crónica, que está na base de muitas doenças crónicas. A inflamação crónica pode persistir por meses e anos. Pode ter origem numa inflamação aguda, que não é tratada ou pode começar de maneira progressiva e pouco evidente. No segundo caso podemos dar como exemplo a artrite reumatoide, aterosclerose, tuberculose…

A inflamação crónica é, também, um fenómeno importante no desenvolvimento do cancro e em doenças que eram consideradas exclusivamente degenerativas, como o Alzheimer.

Quando temos uma inflamação, o corpo tenta sempre restaurar os tecidos lesionados mas os sintomas por vezes obrigam a tratamentos exteriores para a cura. O abuso de certos medicamentos ou de práticas menos adequadas nos hábitos de vida podem ser adversos ao processo de cura.

O Jejum

A medicina naturista, para modular o processo de inflamação recorre muitas vezes ao “jejum”. A falta de apetite é um dos primeiros sintomas e deve de ser respeitado. Pode ser um jejum de água, sumos, caldos (de legumes…) e de infusões com efeitos anti-inflamatórios.

Os “jejuns” são também, utilizados com técnicas “detox” em épocas do ano em que abundam alimentos como o figo, as cerejas e as uvas. O indivíduo come apenas esses alimentos  durante os dias estipulados para o jejum.

O jejum só se deve fazer depois de consultar um profissional nesta área, pois pode ser um risco para a saúde se for mal feito, e nem todas as pessoas o podem fazer.

O papel das gorduras

Uma dieta refinada, rica em gorduras saturadas e alimentos processados pode ser a chave da elevada incidência de patologias crónicas que se observam hoje em dia.

Os ácidos gordos do tipo ómega 6 incrementam a inflamação e a agregação plaquetária, enquanto os ácidos gordos do tipo ómega 3 contribuem para a redução da inflamação.

Os peixes, uns mais que outros, ingerem alimentos ricos em ómega 3, alimentam-se de plâncton, algas e de outros peixes mais pequenos em que a base da sua alimentação  é também de   algas e  plâncton. A ingestão de peixe de água fria pode ser uma boa fonte de ingestão de ómega, mas a maneira como o confecionamos, expondo-o a altas temperaturas pode desnaturalizar o omega3.

A alternativa vegetal dos ómega 3 encontra-se em frutos secos (nozes, amêndoas…) os delicados ómegas estão protegidos pela casca grossa, e os frutos devem ser ingeridos logo após a sua abertura. Os ómegas se expostos á luz e ao calor perdem as suas propriedades anti-inflamatórias. A linhaça rica em ómega 3 pode ser facilmente ingerida em semente ou em óleo. Outros alimentos ricos em ómega 3 são alguns vegetais de folha verde, algas, sementes de cânhamo, e frutos secos.

Atualmente a industria alimentar utiliza na confeção de alimentos gorduras parcialmente hidrogenadas, estas, são mais estáveis permitindo a conservação dos alimentos por vezes meses ou anos. Estas gorduras parcialmente hidrogenadas são ricas em ómega 6, que contém um percursor inflamatório que é o ácido araquidónico. Quanto mais ácidos gordos ómega 6 tivermos no organismo, menos capacidade o nosso organismo tem de utilizar os benefícios do ómega 3. Pensa-se que na época paleolítica a ingestão de ómega 6 e ómega 3 era similar, atualmente é de 25 (ómega 6) para 1 (ómega 3).

 

Antioxidantes e exercício

Além da ingestão de gorduras saudáveis para combater a inflamação existem outros mecanismos sinérgicos.

Antioxidantes – uma dieta rica em antioxidante pode ter um papel crucial no combate às lesões induzidas pelos radicais livres. Por exemplo uma ingestão rica em carotenoides está claramente corelacionada com uma menor incidência de lesões articulares.

Exercício – Se houver um processo inflamatório pex articular, impõem se o repouso. A dor e o edema são sinais fisiológicos que nos dizem que devemos parar, mas muitas vezes depois de tomar medicação e não sentir a dor continuamos a forçar, sem dar tempo suficiente ao corpo para recuperar. Não falamos em repouso absoluto mas em respeitar o nosso corpo, para depois voltar em força às atividades. O exercício é uma arma essencial neste processo, deve ser adaptado ao indivíduo, e preferencialmente praticar uma atividade que dê prazer, só assim será constante e continuado ao longo da vida.

Pontos essenciais numa dieta anti-inflamatória

– Substituir as gorduras saturadas e trans que são ricas em ómega 6 (óleo de girassol, de milho, de palma) que favorecem a inflamação, por ómega 3 que combate a inflamação. Boas fontes de ómega 3 são o azeite, óleo de abacate e de linhaça.

– Uma dieta abundante em legumes e fruta, tentar substituir snacks pouco saudáveis por fruta.

– Incrementar a ingestão de fibra. A fibra ajuda a reduzir a inflamação, o ideal seria de umas 30gr dia (cereais integrais, leguminosas, legumes, fruta)

– Ingerir alimentos benéficos ricos em ácidos alfalinolénicos, percussores dos ómega 3, como: sementes de linhaça, microalgas (clorela, espirulina…) nozes, sementes de chia…

-Adicionar aos pratos especiarias e condimentos com componentes anti-inflamatórios: alho, cebola, gengibre, curcuma, orégão, noz-moscada…

-Diminuir alimentos inadequados por aportarem grande quantidade de gordura trans e ómega 6 como: carnes vermelhas, produtos lácteos, óleos parcialmente hidrogenados (óleos diversos, margarinas. Alimentos processados com grandes prazos de validade como bolachas e snacks, e pão embalado. Diminuir a ingestão de alimentos refinados, pão branco, bolos, arroz instantâneo, comida pré- confecionada, cereais de arroz e milho (que contêm muito açúcar e gordura).

– Diminuir alimentos que podem provocar intolerâncias: produtos lácteos, glúten, corantes, aromatizantes (os efeitos variam de pessoa para pessoa) …

Outros recursos para o tratamento da inflamação…

– O relaxamento e as técnicas de controlo mental podem ajudar a controlar a dor e a melhorar os processos inflamatórios. A sua eficácia foi demonstrada através de mecanismos neuroendócrionos e de imunomodulação.

– A acupuntura tem eficácia demonstrada em alguns processos inflamatórios tal como na analgesia.

– Hidroterapia é muito efetiva no tratamento da inflamação.

– O aspeto mental e emocional é importante, a calma e o processo de confiar que o nosso corpo tem uma palavra a dizer nestes processos e que às vezes parar é o melhor remédio deve ser apreendido com uma etapa de recuperação e não de perca de tempo.

Ser ativo e fazer o que está ao alcance de cada um no processo de recuperação é importante, não ceder á inercia de deixar andar.

Aplique estas dicas, respire e fortaleça o seu sistema imunitário.

Provas de Trail

13 Comentários

  1. Dyna Costa 13 de Dezembro de 2012 23:40

    Sao informacoes muito importantes

  2. André Lopes 18 de Julho de 2014 17:13

    Gostava de acabar aqui com o paradigma da gordura saturada….desde já que nao e a má da fita….

    Sabem ao menos de onde vem a origem da roda dos alimentos???

    Cumprimentos
    André Lopes

  3. larissa 29 de Agosto de 2014 16:17

    adorei ajudou muito! prevnção é sempre importante.

  4. maria silva 16 de Junho de 2016 17:40

    Artigo muito elucidativo…obrigada.

  5. Suellen 21 de Junho de 2016 23:26

    Primeiro uma pequena parte da minha perna esquerda, acima do joelho, na lateral começou com uma dormência. Comecei a usar um antiinflamatório em spray, em uns 3 a 4 dias a dormência passou, mas começou a doer, então comecei a tomar diclofenaco. Eu corria na esteira, reta e ladeira, mas parei com os exercícios enquanto estou tratando a área lesionada . Meu procedimento está correto?

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