Mudança de hora – algumas considerações para o treino

Autor: Nuno Caetano  /   Outubro 27, 2012  /   Publicado em Treino  /   2 Comentários

Esta noite muda a hora, último domingo do mês, vamos entrar na hora de inverno, onde os ponteiros se atrasam 60 minutos.

Apesar de ser aquele dia do ano em que podemos dormir mais uma hora, há alguns pontos sobre os quais devemos refletir.

Será que aproveitamos realmente para dormir mais 1 hora?

Estando um pouco atento percebemos que não!

Vemos esta oportunidade como uma forma de estarmos mais relaxados pois teremos mais uma hora para dormir de manhã, e talvez por isso fazemos mais isto e aquilo, vemos um filme que começou mais tarde, ficamos no computador, etc. No final de contas acabamos por dormir o mesmo, ou até menos.

Se és desportista tira o máximo de proveito da mudança do horário. Mantém as rotinas e dorme de facto 1 hora extra. O sono é dos melhores dopings com a vantagem de não acusar no controlo…

Alterações no relógio biológico.

Para além das horas que não descansamos, a mudança de horários afeta a produção de determinadas hormonas através da glândula pienal que regula o nosso ciclo circadiano e que se regula pelo ciclo solar (muitas vezes esquecemo-nos das nossas origens…). Esta glândula produz certas hormonas, como as que ativam o metabolismo quando amanhece e outras que regulam e ativam o sono com o anoitecer. Isso dá à glândula um papel fundamental na regulação do relógio biológico. Por isso, as pessoas que costumam acordar quando o dia já está luminoso e que, com o horário de inverno, passaram a acordar quando ainda está escuro, podem ter dificuldades para ativar seu metabolismo imediatamente – quem habitualmente acorda cedo, se estiver atento, percebe que isto já tem vindo a acontecer com o fim do verão e entrada no outono.

Todas estas alterações podem fazer com o treino não saia da forma como gostaríamos, eventualmente não consigamos cumprir os objetivos de algumas sessões, principalmente quem treina de manhã cedo ou tarde ao fim do dia/noite. Pior, se não estamos a 100% o risco de lesão é superior.

O que fazer para minimizar estas mudanças no organismo:

– “Deitar cedo e cedo erguer…” – se calhar os mais novos não ouviram vezes suficientes o ditado, ou viram Vitinho. Acima de tudo precisamos de regras e rotinas para aproveitarmos sempre a noite para um descanso reparador.

– Manter esta filosofia ao longo de todo o ano e não só no dia de mudança da hora.

– Refletir sobre esta temática para todos os campos da nossa vida. Uma criança com baixos níveis de sono de qualidade tem a mesma atenção e energia na escola? Rendemos da mesma forma na nossa atividade profissional sonolentos, sem paciência, desconcentrados?

– Beber 1 café/refrigerante por hora “para acordar” não é solução. Se o nosso sono não está em dia devemos repô-lo o mais rapidamente possível e entretanto estarmos atentos às bebidas e alimentos que nos apetecem (a nossa capacidade de decisão está afetada).

– Não agendar as tarefas mais importantes ou um treino específico para os dias em que não estamos bem descansados. Se o tínhamos feito, é preferível realizar um treino com objetivos menos importantes e então no dia seguinte já em perfeitas condições poder executar o treino sem constrangimentos.

– Se treinas de manhã cedo acorda uns minutos antes, bebe ½ litro de água em jejum (para ativar os orgãos), espreguiça-te várias vezes, vai preparando o que necessitas para o resto dia, dando algum tempo extra para os órgãos, músculos e tendões “acordarem” e estarem prontos a desbravar alcatrão.

Em suma, procura sempre um final de dia com atividades calmas e que não causem stress para dormir bem em qualidade e quantidade. Decerto que a performance desportiva sairá beneficiada e cada treino rentabilizado ao máximo.

Nuno Caetano

Programas de Treino VAI +LONGE http://vai-mais-longe.blogspot.pt/

Licenciado em Desporto e Educação Física, Opção Complementar de Desporto de Rendimento Natação – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Treinador de Triatlo – Grau III – Federación Española de Triatlón

Treinador de Natação – Grau II – Federação Portuguesa de Natação

Professor de Natação e Treinador de Triatlo da Escola Municipal de Triatlo – MatosinhoSport, E.M.

Treinador de Triatletas no Grande Porto

Provas de Trail

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