Domingos Paciência – Corredor de Pelotão

Autor: Vitor Dias  /   Outubro 05, 2012  /   Publicado em Entrevistas  /   5 Comentários

Domingos Paciência - Corredor de PelotãoFoi um ponta de lança nato e um ídolo para os adeptos do Futebol Clube do Porto, clube onde fez a maior parte da sua carreira. Representou a seleção nacional de futebol por 35 vezes e foi treinador das camadas jovens e da equipa B do FC Porto, da União de Leiria, Académica, Sporting de Braga e Sporting Clube de Portugal. Hoje corre como todos nós, sem proteccionismos e com a humildade que sempre lhe foi reconhecida. Corre por prazer e por isso fomos tentar saber o que o faz praticar a modalidade que tanto gostamos.

Depois de tantos anos dedicados exclusivamente ao futebol, como surgiu a corrida?

Surgiu por sentir que para o meu bem-estar, teria que fazer exercício físico. Após os jogos sentia-me muito cansado tanto em termos físicos como psicológicos.

Corre com que regularidade?

Normalmente corro 4 ou 5 vezes por semana.

Participou na Meia Maratona do Douro Vinhateiro, a Corrida de S. João (Porto) e na Meia Maratona Sportzone (Porto). Como foram essas experiências?

Gostei porque foram desafios diferentes de todos os que já tive. Sempre que a minha profissão mo permitir vou querer repetir.

Integra neste momento a equipa Porto Runners, o maior clube português de corrida. Como foi recebido e qual o ambiente ali vivido?

Fui muito bem recebido e obtive muito apoio tanto no seio da equipa como por parte de muitos outros corredores. Todos foram muito importantes na minha primeira prova, a Meia Maratona do Douro Vinhateiro, na Régua.

Sendo a Porto Runners o clube português com mais maratonistas, não se sentiu ainda tentado a fazer essa mítica distância ou não pensa percorre-la futuramente?

Não penso fazê-lo. É necessário muito treino e a exigência já vai para lá daquilo que eu penso que é o aconselhável para a saúde. A idade já não pede este tipo de sacrifício.

Enquanto jogador de futebol, eram muitos os treinos que incluíam corridas de longa distância? Como eram vistos esses treinos pelos colegas, gostavam ou se pusessem evita-los…

Eu era um dos muitos que detestavam correr. Jamais sonhava que fosse possível fazer uma meia maratona.

Lembra-se de algum preparador físico que fosse especialmente adepto da corrida e que a incluísse nos treinos com maior frequência?

A maioria gosta. A corrida no futebol  é mais especifica. A intermitência é mais usada mas a resistência em determinados momentos também se faz.

O aumento de atletas de pelotão em Portugal tem aumentado de forma exponencial. Como vê esta realidade e por que razão ela está a acontecer?

As pessoas começaram a preocupar-se com a saúde e o exercício físico passou a ser fundamental. As pessoas têm mais consciência o quanto ele é necessário.

Cada vez mais os jovens de tenra idade pensam ser futebolistas. Não existe no nosso país uma política escolar capaz de incentivar os jovens para outras modalidades. Acha que essa tendência não deveria ser invertida, devendo haver mais pluralidade, levando os jovens a praticar outros desportos, dado que no futebol poucos chegam ao topo? Não estaremos a perder bons atletas para as outras modalidades?

Concordo que nas escolas deveria haver tempo e espaço para que as crianças sejam incentivadas a fazer desporto independente da modalidade. Fazer por prazer cansa menos do que trabalhar por obrigação. Seria importante ter pessoas qualificadas nas escolas no sentido de levar a criança a fazer exercício com motivação e prazer.

24h Portugal 2018

5 Comentários

  1. Luis Miranda 5 de Outubro de 2012 9:32

    Um Grande Atleta,e um exemplo de Humildade e Grande capacidade de trabalho..

    Um abraço

    Luis Miranda

  2. Paulo Antunes 9 de Outubro de 2012 9:25

    Aqui está um bom exemplo de como se pode fazer uma entrevista interessante onde as perguntas e respostas tem algum tem razão de existir, que tocam em assuntos significativos e nada banais.
    Parabéns aos intervenientes por esta boa entrevista.

    Quanto ao Domingos posso dizer que realmente demonstrou uma grande humildade, e arrisco dizer que ainda vai fazer uma maratona, a corrida é um bom vicio e não será preciso colocar a saúde em risco para se conseguir fazer a maior das provas de estrada.

    Espero um dia partilhar uma maratona com o Domingos, e que ele sinta a felicidade de fazer e terminar a Maratona.

    Abraço,

    Paulo Antunes

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