Entrevista com Marta Moreira

Autor: Vitor Dias  /   Outubro 13, 2011  /   Publicado em Entrevistas, Mulher Corredora
Tags: 400 metros, jogos olimpicos, marta moreira, Orientação
Tempo de Leitura: 4 minutos

Entrevista com Marta MoreiraOnde está a Marta reina a boa disposição. É impossível ser indiferente á sua simpatia, assim como á sua forma de estar no desporto e na vida. Ao contrário da maioria dos atletas de alta competição, nunca deixou de praticar exercício físico e a incentivar os outros a fazê-lo. Vamos conhecê-la melhor.

Marta Moreira nasceu em Rio Tinto – Gondomar, a 29 de Novembro de 1966. Foi campeã nacional de 400 metros em 1984 e de 400 metros barreiras em 1986, 1992, 1993 e 1996.

Esteve presente nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, onde participou nos 400metros barreiras e na estafeta 4×400 metros. Na prova individual de barreiras, quedou-se pelas eliminatórias, tendo sido sexta na sua série com o tempo de 58.24 s. Quanto ao quarteto da estafeta, que integrou juntamente com Eduarda Coelho, Elsa Amaral e Lucrécia Jardim, passou as eliminatórias e foi oitavo na final, com um novo recorde português de 3:29.38 (ver vídeo no final deste artigo – A Marta aparece em grande plano aos 13 segundos). Este recorde permanece ainda até aos dias de hoje fazendo já 20 anos em 2012.

 

Como ingressaste no atletismo e com que idade?

Faziam corridas para miúdos na rua onde morava em Rio Tinto, á volta do mercado e o prémio eram rebuçados e chocolates e eu estava sempre presente, gostava de correr e dos doces também, tinha 9/10 anos, costumava ganhar as provas, mesmo com rapazes, até que um senhor um dia  me perguntou se eu queria fazer atletismo a sério no FCP, era perto de minha casa, e lá fui e fiquei.

Que diferenças vês entre essa altura e actualmente no que respeita aos atletas de alta competição?

Há muita diferença, hoje há muito melhores condições sem comparação, na altura nem pista de tartan havia no Porto. Melhoraram as infra-estruturas e a parte monetária e ainda bem. Havia na altura muitos mais atletas em competição. Nos Campeonatos de Portugal eu competia eliminatórias, meias finais para chegar á final, hoje em dia há final directa e não ocupam as pistas todas, para tristeza minha claro, dado que adoro a minha modalidade.

 

E em relação aos atletas de pelotão? São muitos mais agora. Qual achas que foi a principal razão para este aumento?

Há mais provas hoje em dia e com caminhadas, e também por questões de saúde as pessoas aderiram e bem.

 

Quando abandonaste a alta competição, continuaste a praticar exercício físico ou houve algum interregno?

Quando abandonei o atletismo que tanto me custou foi para ser mãe, a experiencia mais maravilhosa que já tive. Depois regressei á corrida porque me fazia falta.

 

Não são muitos os atletas que depois de abandonarem a actividade desportiva continuam a pratica-la sem fins competitivos. Qual achas que é a principal razão para isto acontecer?

Depois de terminar a carreira desportiva vem a “carreira” familiar e por vezes não se consegue conciliar, se o cônjuge for do meio, que é o meu caso, fica tudo mais fácil e é bom para todos.

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No próximo dia 23 de Outubro irás participar na tua primeira maratona (Grande Trail Serra D’Arga) e logo de montanha. Porquê este desafio?

Este desafio começou com uma brincadeira dos colegas de treino (Céu Costa, Anabela Keta e Carlos Soares, meu marido). Fiz a prova da Freita e achei que não eram provas para mim, eram muito duras, mas conseguiram convencer-me e vamos todos numa de aventura, vai ser uma experiência diferente. Acho que vou gostar.

Sabemos que agora está a treinar regularmente com um grupo de atletas que vêm de várias áreas do Desporto, como está a achar esta experiência?

O treino nesta altura da minha vida é mais para manter a condição física e também pelo convívio, temos um grupo espectacular, uns que treinam mais a sério, outros por lazer, sempre que posso dou o meu contributo para ajudar.

 

Achas que a experiência vivida na sua carreia desportiva lhe trouxeram mais valias para a sua vida profissional actual?

Com toda a certeza, aceito e consigo concretizar quase todos os objectivos. Não viro as costas às dificuldades, e enfrenta-las é o meu lema de vida.

 

Estás também ligada à Orientação. Desde quando, e como surgiu este gosto?

A Orientação tomei conhecimento através do grupo com que treino, 0 GD4 Caminhos, convidaram-me para ser madrinha do evento que organizam todos os anos. Aceitei com muito gosto e experimentei e gostei. São fantásticos.

 

O que te atrai nesta modalidade?

Esta modalidade, como eu costumo dizer, tem que se usar muito a cabeça, não basta correr, há quem corra muito e não ganha provas de orientação. É espectacular quando se consegue o objectivo, encontrar o ponto.

 

O que leva os nossos jovens a praticar tão pouco exercício físico? Achas que o desporto escolar cumpre o seu papel?

Os nossos jovens estão mais virados para jogos de computador, não cansam tanto. Não havia muita cultura desportiva também. Mas acho que agora também está a melhorar e cada vez mais se vêm famílias inteiras a praticar desporto, assim como o desporto escolar ajudou um pouco . No meu tempo não havia estas facilidades.

 

Que mensagem gostava de deixar para os atletas desta nova geração?

Acho que é importante dedicação e definição de objectivos, mas o fundamental é ter paixão naquilo que se faz.

Temos que organizar a nossa vida em função disso, claro que há prioridades mas cabe a cada um estabelece-las. Nunca desistir dos nossos sonhos.

Sobre Vitor Dias

Autor e administrador deste site. Corredor desde 2007 tendo completado 54 maratonas em 15 países. Cronista em Jornal Público e autor da rubrica Correr Por Prazer em Porto Canal. Site Oficial: www.vitordias.pt
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