A valsa e os tempos

Autor: Joaquim Margarido  /   Novembro 14, 2010  /   Publicado em Notícias
Tags: joaquim margarido
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A valsa e os temposÉ sempre com imensa alegria que vejo alguém abraçar esta nossa paixão. Felizmente são já muitos os que se juntam ao pelotão. Menos usual é o regresso de quem por uma razão ou outra, em determinada altura tenha abandonado temporariamente a actividade. Joaquim Margarido, que começou há pouco tempo a escrever para o CorrerPorPrazer.com, foi novamente absorvido pelas corridas, tendo recentemente aderido à equipa Porto Runners. O regresso às provas está previsto para a Volta a Paranhos, dia 8 de Dezembro e aqui fica a minha promessa de o acompanhar durante a prova. Para já, deliciem-se com o texto onde ele faz o anúncio do seu regresso.

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O dia 5 de Outubro de 2001 ficará para sempre gravado a ouro no seu álbum das mais gratas memórias. Em Ovar, terra que o viu nascer e crescer, entregou-se de corpo e alma a uma manhã chuvosa e fria e fez a sua primeira corrida. Foi o primeiro tempo duma valsa que – sonhava ele! – iria dançar até ao fim dos seus dias.

Nos sete anos seguintes foi feliz, de tantas valsas que dançou. Passos pequeninos em grandes palcos, passos maiores em palcos já desaparecidos, foram cem valsas que o impregnaram de música, ritmo e satisfação. Até que um dia viu o palco fugir-lhe dos pés…

As pernas perderam o ritmo e o corpo perdeu o jeito. A música que bailava ainda no mais profundo de si, sentia-a cada vez mais longe e procurava alimentá-la quer pelo prazer de rever amigos numa valsa que já não era a sua, quer pelo prazer de escrever as letras das valsas para outros.

Um destes dias, porém, deixou-se levar pelo prazer das valsas de antanho. Uma floresta a ressumar a caruma e maresia estreitou-o para uma hora de corrida contínua. Uma hora em que valsa e corrida foram um delicioso prazer. Este foi o primeiro tempo duma nova valsa que se repetiu no dia seguinte, com mais uma hora de corrida e de prazer. Uma hora durante a qual tomou uma decisão que, embora encerrando uma elevada dose de risco, pôs cobro a um impulso que é, em si mesmo, um desejo legítimo: Voltar a pisar um palco, voltar a dançar uma valsa!

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Dois anos e meio depois da última valsa, num 25 de Abril em Gondomar, ele prepara-se para pisar um palco de novo. Sabe que as pernas perderam o jeito (se é que alguma vez o tiveram), sabe que o fôlego já não é o que era. Mas sabe que voltará a ser feliz, que todos irão – ainda que apenas os primeiros passos – valsar com ele e que, irmanados nesse espírito de correr por prazer, todos dançarão em conjunto “Uma Valsa a Mil Tempos”.

Saudações atléticas.

Joaquim Margarido

Running – Medicina, Fisiologia, Treino e Nutrição

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