Alimentos “dietéticos”, sim ou não?

Autor: Filipa Vicente  /   Setembro 02, 2010  /   Publicado em Alimentação, Emagrecer a Correr  /   5 Comentários

A crescente epidemia da obesidade levou a um grande esforço na Indústria Alimentar no sentido de criar alimentos que possam ajudar a manter um plano de alimentação hipercalórico, e assim surgiram os “light”, os “diet” e os “magros”. Simultaneamente, surgiram vários mitos sobre a segurança de alguns destes géneros alimentícios levando à confusão total sobre os benefícios da sua utilização. Distinga-os e faça a escolha certa.

A maior parte destes alimentos inundam as prateleiras da distribuição alimentar e são igualmente tentadoras para todos os que apenas querem tornar a sua alimentação mais saudável.

Alimentos light: têm menos 30% das calorias do alimento original.

Para esta redução pode haver substituição de um ou mais nutrientes, nomeadamente açúcar e/ou gordura. Podem ser uma boa opção para incluir um determinado alimento de consumo diário procurando eliminar o consumo de açúcar e de gordura.

O queijo tipo flamengo light é um bom exemplo de um alimento consumido regularmente, a versão original pode ter até 60% de matéria gorda, enquanto a versão tradicional apenas 30% (ou seja 30g em 100g de queijo).

Os sumos e refrigerantes light são uma boa opção para os consumidores deste tipo de bebidas uma vez que a sua versão original tem um elevado teor de açúcar e calorias a mais para o fim nutricional que têm. Habitualmente, os açúcares são substituídos por edulcorantes como o aspartame. Embora as duvidas sobre a utilização destes aditivos sejam muitas, especificamente no caso do aspartame é o aditivo mais utilizado em todos os géneros alimentícios e até hoje nunca foram fundamentados efeitos tóxicos, excepto claro nas típicas mensagens de correio electrónico alarmistas.

Alimentos diet: remoção de um dos ingredientes que pode ser açúcar, gordura ou sódio

Esta categoria de alimentos suscita muitas dúvidas, porque um alimento diet não tem de ser obrigatoriamente menos calórico. Pode ter aumentada a quantidade de um ingrediente para substituir o que foi removido e por isso há que ter muita atenção no seu consumo.

O mais procurado é provavelmente o chocolate diet, a troca não compensa porque os chocolates diet podem ter mais gordura se for removido o açúcar e por isso até serem mais calóricos. Algumas bolachas têm igualmente esta alegação, na maioria das vezes referindo-se à inexistência de açúcar adicionado.

São uma opção para quem tem restrições específicas como o sal nos hipertensos e o açúcar nos diabéticos mas infelizmente a fiscalização ainda não é suficiente para impedir a utilização abusiva do termo “diet”.

Alimentos magros: teor reduzido de gordura (geralmente abaixo de 0,5%)

Estes alimentos são uma boa escolha para quem quer reduzir as calorias ingeridas de alguns alimentos considerados essenciais como o leite e os seus derivados.

Escolha leite magro se tem os níveis de colesterol acima dos valores normais ou se está a tentar emagrecer e estagnou num ponto, se tem um peso saudável e não tem qualquer alteração nas análises clínicas pode manter o meio-gordo. A diferença entre ambos não chega às 30kcal por copo mas se beber um litro de leite por dia, a diferença pode ser mais significativa na balança.

No que diz respeito ao iogurte, na maior parte dos casos o problema não está na gordura mas sim no açúcar adicionado. Os iogurtes ditos magros são habitualmente também artificialmente adoçados, ou seja, têm edulcorantes no lugar de açúcar. Se quer reduzir o consumo desses aditivos, compre iogurtes naturais não açucarados e adicione fruta ou doce a seu gosto além de cereais, etc.

Edulcorantes: o vício do sabor doce

Desde o nascimento, o Homem tem um gosto especial pelo doce, o primeiro alimento é doce, as fórmulas para lactentes são particularmente doces assim como as papas e outras refeições sugeridas pelos princípios da diversificação alimentar. Não admira portanto que se habitue ao sabor e renuncie ao “azedo”.

O consumo excessivo de açúcar é a principal causa de obesidade nos estados unidos, além das porções exageradas de comida, os americanos são conhecidos pelas “bebidas à descrição” nos grandes estabelecimentos de comida rápida. As bebidas são mais frequentemente refrigerantes de todas as cores, sabores e feitios, adoçadas com xarope de milho, um açúcar muito refinado e sem qualquer fim nutricional.

Ainda assim, em Portugal recomendamos-lhe que deixe o pacote intacto no pires do café. 3 cafés por dia com 1 pacote cada podem significar 1kg extra por mês e 12kg no fim desse ano. Se está a beber mais do que 3 cafés, as contas pioram.

Não lhe recomendamos que opte por adicionar adoçante, o ideal é que se habitue progressivamente a ir reduzindo a quantidade até não pôr nada. Se o conseguir fazer de uma só vez tanto melhor, custa os primeiros dias.

A adição de edulcorante a alimentos e bebidas deve ser um gosto pessoal, de uma maneia geral o aspartame é o mais utilizado e também o mais recomendado porque a sua segurança está devidamente comprovada.

Da próxima vez que for ao supermercado não vá à zona “dietética” pensando encontrar milagres, nem encare um light como o santo “graal” da sua alimentação. Modere os seus excessos, controle as quantidades de acordo com os seus gastos e saboreie os alimentos aprendendo a descobrir o sentido do gosto no lugar de devorar o que aparece à frente.

24h Portugal 2018

5 Comentários

  1. Nelson Perneta 2 de Setembro de 2010 14:27

    Olá Dra.Filipa:Na minha opinião,não se os quiser fazer,pode faze-los dentro de refeições completas com moderação.Quanto ao café o verdadeiro é toma-lo sem açucar dito pelos apreciadores deste diurético,que estou incluído.Felecidades

  2. Miguel Paiva 3 de Setembro de 2010 15:38

    Este tipo de produtos nunca me convenceram. Para além de desvirtuarem o sabor original dos produtos (o queijo é um bom exemplo, mas poderia também falar das bebidas), vejo-os essencialmente como armas das estratégias de marketing das várias marcas para tentar aumentar vendas.
    Pessoalmente só consumo produtos originais e nunca sucedaneos light/diet/magro que, na minha modesta e leiga opinião, apenas servem para reconfortar as mentes de quem, não querendo fazer aquilo que verdadeiramente resolve os problemas de obesidade (praticar exercício, comer com moderação, etc), se refugia nesse conforto para se auto-desculpar.

    abraço
    MPaiva

  3. Filipa Vicente 6 de Setembro de 2010 12:18

    Olá Nélson,
    Sim, de facto devemos reduzir ou mesmo eliminar todo o açúcar adicionado aos alimentos e bebidas. Não precisamos de mais açúcar, excepto claro enquanto fazemos o que mais gostamos porque o estamos a queimar.

    Além disso substituir açúcar por adoçante é arranjar outro vício.

    Cumprimentos e boas corridas,
    Filipa Vicente

  4. Filipa Vicente 6 de Setembro de 2010 12:24

    Olá Miguel,

    É importante fazermos a diferença entre escolhas que de facto significam “tapar o sol com a peneira” e outras que podem ajudar.

    Quem gosta de sumos e refrigerantes, dificilmente encontrará uma boa escolha (por mais moderação que tenha) nas prateleiras dos produtos originais visto que quase todos têm açúcar adicionado. Ora para quê adicionar açúcar a um sumo de fruta naturalmente doce? Ou para que precisamos nós de quase 4 pacotes de açúcar dentro de uma lata de refrigerante?

    Quanto ao queijo, se usarmos o tipo flamengo já estamos a fazer uma boa opção. Infelizmente o queijo tipo flamengo magro chega a ser um folha de papel de cor amarela mas também já há melhores.

    Da mesma maneira que os originais, os alimentos deste tipo devem ser encarados como uma escolha alternativa e não como uma solução. Se ajudarem muito bem, se são a desculpa para comer mais é melhor não ir por aí.

    Cumprimentos e bons treinos,
    Filipa Vicente

  5. João 22 de Setembro de 2010 10:24

    COCA COLA ZERO – Tem mesmo 0,5 kCAL como anunciam.
    Como é possível ? O sabor é muito idêntico a dita normal.

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