Hoje é dia da Freita

Autor: Vitor Dias  /   Junho 27, 2010  /   Publicado em Notícias  /   16 Comentários

Realiza-se hoje aquela que é a mais emblemática e porventura mais dura prova de montanha portuguesa, carinhosamente denominada de “Freita”, nome da Serra onde a mesma se desenrola. A prova vai já na sua 5ª. edição, tendo o percurso vindo a aumentar de distância e de dificuldade. Este ano, a prova raínha terá uma extensão de 70 Km, estando portanto ao alcance de apenas alguns. No ano passado a prova foi ganha por Alcino Serras com o tempo de 06h01m05s. Para além da prova de 70 Kms, haverá uma prova de 17 Kms e uma caminhada de 8 Kms.  Será portanto o encontro de atletas fortes e duros com aqueles que não tendo a possibilidade física destes se juntarão pelo convívio e pela beleza das paisagens.

A organização desta prova esta a cargo da Confraria Trotamontes, liderada por José Moutinho que há vários meses tem vindo a trabalhar no sentido de aperfeiçoar cada vez mais este já carismática prova.

O Correr por Prazer irá estar presente na edição deste ano, juntando a este crónica fotos e notícias acerca da mesma.

Deixamos também aqui o convite a todos os que participarem nesta prova, a deixarem aqui o seu testemunho acerca de como a prova vos correu e quais as sensações e emoções que a mesma vos trouxe.

Para terminar, deixamos parte do texto existente no site da organização que espelha bem as magníficas paisagens que esperarão os atletas e demais acompanhantes.

A Freita

A serra da Freita faz parte do maciço da Serra da Gralheira, juntamente com a serra da Arada e do Arestal. É uma região de grandes contrastes, de relevo áspero e imponente. Ao austero planalto, onde só florescem os matos rasteiros, contrapõem-se os profundos vales encaixados, atapetados de espesso arvoredo, por entre o qual correm rios rebeldes e tumultuosos.

As pequenas aldeias que salpicam a serra, ora se escondem nos recônditos das rugas da montanha, ora se empoleiram a meia encosta, em airosos anfiteatros rodeados de socalcos laboriosamente talhados ao longo dos tempos. O casario de pedra confunde-se com o próprio monte, num perfeito mimetismo que a construção em pedra lhes dá. Apenas algumas casas pontuam pela diferença, destacando-se pela cor berrante das paredes ou por ostentarem uma arquitectura desajustada, fruto de novos tempos e gostos de outras paragens.”

Correr Por Prazer nomeado para blog do ano 2018

16 Comentários

  1. Vitor Dias 28 de Junho de 2010 9:54

    Decorreu ontem a Freita 2010. Um excelente dia para a prática do Trail de Montanha, caminheiros e corredores menos preparados para a prova raínha de 70 Kms. Estive no local desde as 9h30 da manhã até às 19h00. Acompanhei todos os pormenores, emoções, relatos e testemunhos de quem participou. As palavras de todos os ultras foram todas no mesmo sentido. MUITO MUITO MUITO DURA. Dizia o Moutinho, que esta prova se terá tornado numa das mais duras do mundo. Quem participou, tendo chegado ao fim ou desistido, decerto que concordará com a afirmação. Aguardo comentários na primeira pessoa de quem participou nesta ou em edições anteriores.
    Bom descanso a todos os que terminaram ou “simplesmente” tiveram a coragem de alinhar à partida.

  2. Mark Macedo 28 de Junho de 2010 10:38

    A prova foi durissima, para já não dizer um pouco deshumana. Foram as palavras das mais diversas pessoas que conseguiram chegar até ao fim. Pessoalmente tive duas quedas na parte do percurso do rio. A partir daí foi me literalmente arrastando até a meta. Já não dava para correr pela forma que estava lesionado. Psicologicamente não havia nada que me travasse, mas fisicamente estava arrumado depois das duas que tive. Agora só resta descansar e recuperar.

  3. Vitor Dias 28 de Junho de 2010 10:45

    Olá Mark

    Fomos sabendo do teu estado e dos demais pelos desistentes que entretanto foram chegando. Soubemos das quedas e da tua insistência em não desistir. Porque não o fizeste? Desistir não é nenhuma vergonha principalmente quando a nossa integridade física está em risco.

  4. Mark Macedo 28 de Junho de 2010 10:53

    Eu bem sei que muita gente disse que devia, mas por outro lado não podia deixar a Júlia ir assim sozinha. Estava algumas dores, mas deu para andar. Se fisicamente estava no limiar, pscicologicamente estava longe disso. A minha mente me dizia para seguir e acompanhar a Júlia. Foi eu que tinha convecido para isto e desta forma não consegui deixar de modo algum abandonado. O que ficou foi uma história de vida…

  5. Arzebiu 28 de Junho de 2010 13:29

    Muito bom! Não tinha conhecimento deste evento, mas pelas fotos que vi parece-me que fiquei a perder!

  6. Conceição 28 de Junho de 2010 13:29

    Mark e Julia

    Eu quero vos dar os meus maiores parabéns.
    Eu já fiz esta prova duas vezes e sei a dureza dela então só quero vos dizer não pensa que chegaram fora do limite das horas ms sim que voçês fizeram uma proeza que poucos seriam capaz.
    Beijos e bom descanco

  7. Mark Macedo 28 de Junho de 2010 14:39

    Obrigado Conceição, as tuas palavras são de grande conforto. Tendo em conta o estado em que me encontrava só pensava em concluir o trajecto e felizmente consegui.

    A Júlia aguentou-se bem durante todo o percurso nunca mostrando sinais de desistência. De facto estou impressionado pela determinação dela!

    Bj,
    Mark

  8. AndréCosta 28 de Junho de 2010 16:46

    Viva.
    Eu fiz apenas a “Corrida da Freita (17km)” e já foi durinho que chegue… estava um calor verdadeiramente insuportável em algumas zonas do percurso! E aquela descida + subida final com 400m de acumulado positivo em cerca de 0.6km, deram água pela barba a toda a gente! Só pensava como seria possível aos ultras chegar ali com 65km nas pernas e ainda fazer aquilo…
    Relativamente à organização, nada a apontar. Tudo perfeito!
    AC.

  9. vitor coelho 28 de Junho de 2010 17:46

    Boas a todos

    aqui deixo um pequeno comentário,esta foi a prova mais dura alguma vez realizada em Portugal e assim sendo não seria de esperar as dificuldades que todos teríamos, todos fomos avisados do que nos esperaria dai eu dizer que só la foi quem quis, no meu caso seria um treino para o meu grande objectivo, e esse objectivo foi comprido, com algumas dificuldades como todos mas que foram passadas da melhor maneira, mas o que gostei mais foi o ultimo km que foi feito com um sorriso de canto a canto da boca.
    no meu blog tenho um relato desta prova quem quiser pode dar uma vista de olhos.
    bons treinos e provas melhores

    http://vitorjscoelho.blogspot.com/

  10. Carlos Rocha 28 de Junho de 2010 18:37

    Olá a todos,

    Desde já quero dar os meus parabéns ao José Moutinho, a todos que estiveram na organização deste evento, Confraria Trotamontes, Grupo Desportivo dos 4 Caminhos que nos trataram muito bem.
    A todos os atletas que participaram nas provas e ainda mais importante, aos familiares e amigos que nas últimas centenas de metros estavam aplaudir a nossa passagem. A todos, muito obrigado.
    Fui um dos que participou nesta Ultra de 70 km e que como já foi referido: muito, muito dura para terminar.
    Quando chegamos ao fim da prova depois de todo o esforço despendido, é absolutamente normal que a palavras proferidas não sejam as mais simpáticas. No dia seguinte talvez já estejamos a pensar de maneira diferente sobre o desafio que enfrentamos.
    Foi uma prova dura, muito calor na maior parte do percurso, trilhos muitos técnicos, declives muito acentuados ora a subir, ora a descer. O famoso rio que ninguém gosta mas também não impede que as pessoas façam a sua inscrição na prova no ano seguinte. E por fim já todos sabíamos que tínhamos de enfrentar: percorrer 70 km com um desnível positivo de 4200 metros, ou seja como a prova começa e acaba no mesmo local são 4200 metros a subir e 4200 metros a descer.
    Na prova da Geira ouvi uma atleta, que tinha feito este tipo de prova pela primeira vez, comentar com a irmã e o cunhado que “A prova tinha sido uma lição de vida…”.
    Tenho um sonho de um dia poder ir ao Ultra Trail do Monte Branco, mas ontem tive muito tempo para fazer os seguintes cálculos, no final da prova da Freita tinha realizado 70 km e 4200 metros de desnível positivo. Se estivesse no Monte Branco ainda tinha pela frente mais 96 km e 5200 metros de desnível positivo para acabar em mais 32 horas. Foi desta forma que me lembrei da frase acima da colega, onde iria eu arranjar forças para completar o restante percurso se naquele momento já estava exausto, que isto me sirva de lição de vida para os futuros desafios que possa ambicionar em fazer.
    Quero deixar aqui felicitações a todos os colegas que tiveram a coragem de desistir e assim protegerem o que temos de mais importante na vida: a nossa saúde e integridade física.
    Saudações desportivas e boa recuperação para todos,

    Carlos Rocha
    Porto Runners

  11. Paulo Rodrigues 29 de Junho de 2010 0:57

    Amigo Vitor
    Não é “porventura” a prova mais dura portuguesa,é de certeza!
    Sabes como eu gosto da montanha e de dureza,mas esta foi brutal!
    Ainda estou a digerir as emoções que fui sentindo e mais tarde farei o meu relato,mas não quero deixar de dar os meus parabéns a todos aqueles que tiveram a CORAGEM de a enfrentar.
    Uma palavra de conforto para os desistentes,”ela” não se pode a ficar a rir de vós,no próximo ano estejam na linha de partida,porque vocês também foram uns campeões!
    Se não houver percalços,eu lá estarei!
    Abraço
    Paulo Rodrigues

  12. José António 29 de Junho de 2010 11:07

    Fiz a prova “Corrida da Freita”, os 17 kms que foram “mais” que uns meros 17 kms, mas tive as melhores companhias neste quase passeio de domingo de manhã, com dificuldade QB. Quanto á dureza da Ultratrail fui ouvindo testemunhos dos que foram chegando, e claro que a minha “cabeça” também estava com aqueles “Valentes” que iam cumprindo a distancia.
    Deixo aqui em primeiro lugar os parabéns ao Paulo Rodrigues (irmão e exemplo). Deixo também a minha admiração por todos os que tiveram a coragem de alinhar na partida para esta dura prova (os que concluíram e os que desistiram). Mais uma vez parabéns a todos os/as Valentes.

    Um abraço
    José António

  13. Flor Madureira 29 de Junho de 2010 21:45

    Foi com muita satisfação que recebi o convite do Vitor para relatar as emoções e vivências da Corrida da Freita, aqui vai o meu relato:
    Participei pela primeira vez numa prova de montanha o ano passado nos 16 Km da Freita,essa vontade surgiu dos relatos dos meus amigos Paulo Rodrigues e Vitor Coelho que já tinham participado na Ultra e me passaram o “bichinho”.
    Adorei cada metro daquela serra,tem paisagens deslumbrantes e uma paz indiscritivél.
    Apesar de sentir que ainda não estou preparada,este ano tinha como objectivo fazer a Ultra(ainda bem que não cometi essa loucura, graças ao meu marido)por isso comecei a treinar na Serra de Valongo,Aboboreira mais uma vez incentivada pelo Paulo e Vitor Coelho, em boa hora o fiz pois realizei treinos que nunca pensaria fazer, tanto pela dureza como pela distãncia mas mais importante que tudo isto são os amigos que fiz.
    São muitos,não os vou mencionar para não falhar nenhum.
    Durante esta preparação participei num treino de 35 Km na Freita(1ªparte da Ultra)adorei,foram 10 horas com muitas emoções, mais uma vez com uma camaradagem e companheirismo que só se encontra nas corridas da Montanha.
    Sei o que é a dureza desta prova Rainha(e só fiz metade)por isso muito admiro aqueles que a concluiram e aos que souberem quando tinham de parar,saber desistir é uma prova de inteligência e não faltarão oportunidades para concretizarem os seus objetivos.
    Da minha Corrida de 17 Km tenho a dizer que a 2ªparte foi dura,pelo declive mas mais pelo calor, mas como eu já conheço um pouco desta Serra sabia que não ia ser fácil,ainda mais depois do aviso de Moutinho que sempre me disse que a subida da Misarela era muita dura.
    O meu objetivo era concluir e isso consegui!
    Para concluir este meu relato temho de falar na Ultra,fiquei á espera dos Herois até cerca das 19 horas e foi com muita emoção que vi chegar um a um, exautos mas com sentimento de dever cumprido.
    Apesar só ter feito 17 Km sofri por cada um destes atletas assim como vivi a sua alegria de cortar a meta.
    PARABÉNS a todos os atletas e organização!
    Mesmo apesar de tanta dureza ainda não desisti da ideia de um dia participar nesta Ultra!

  14. Fernando Andrade 29 de Junho de 2010 22:21

    Foi duro, sim! Mas quem me mandou a mim, alinhar?
    Sabia que teria de gerir muito bem o esforço, mas apesar disso, chegou-se a uma altura em que “encostei”. Não há dúvidas que os tempos de passagem são importantes para proteger os próprios atletas, mas deverão ser calculados por forma a que não se deixe de olhar a paisagem e um andamento confortável, para olhar para o relógio e sentir a pressão do tempo a condicionar-nos. Entre os 38 e os 40km mudei completamente a minha atitude. Estava animado nas eólicas (38) e tinha muito tempo(45m) para fazer uns míseros 2km a descer !!! Assim que saio do estradão e sou encaminhado para a encosta do monte, para descer entre urzes que tapavam a passagem e ter de desviar o mato para conseguir progredir, vi logo que a prova teria de terminar no próximo ponto de controle, aos 40Km. É que se constava que os restantes 30 ainda seriam mais difíceis.
    Eu vou contando mais coisas sobre a Freita no meu blogue. Seria um prazer receber a vossa visita.

  15. Marco Silva 30 de Junho de 2010 0:22

    Companheiros, eu só quero dar Parabens a todos os que alinharam na linha da partida desta magnifica prova num local paradísiaco como é a Freita. Quem gostar de montanha é favor de ir á Freita e saborear o que tem de bom.
    Quanto á prova, acho que já tudo foi dito e eu com a minha dose de maluquice qb, prefiro para já nem falar até porque todo o relato que possa fazer, já sei os nomes que me vão chamar, como tal… VIVA A FREITA e para o ano se se não existir atropelhos, lá estarei a tentar ser mais uma vez um Finisher (com polo ou sem ele).
    Abraços Trailianos.

  16. Emily 2 de Julho de 2010 14:40

    Obrigado Conceição, as tuas palavras são de grande conforto. Tendo em conta o estado em que me encontrava só pensava em concluir o trajecto e felizmente consegui.

    A Júlia aguentou-se bem durante todo o percurso nunca mostrando sinais de desistência. De facto estou impressionado pela determinação dela!

    Bj,
    Mark

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