Maria sem frio nem casa

Autor: Vitor Dias  /   Fevereiro 09, 2010  /   Publicado em Blogosfera Corredora, Mulher Corredora  /   10 Comentários

Maria sem frio nem casaMaria Sem Frio Nem Casa nasceu numa noite fria de Abril de 2006. Depois de alguns anos de experiências enriquecedoras mas que sempre acabaram por se revelar também castradoras e limitativas onde imperou a manipulação e o autoritarismo, próprias de Fóruns públicos que por mais democráticos que aspirem a ser, sempre acabam por se reger por leis e regras nem sempre justas e imparciais, ela, a Maria, sem aspirações para além do prazer de escrever e descrever sem freios sentimentos e emoções, dando asas a realidades e fantasias, sempre associados à Corrida, actividade que se funde com a própria Vida desta mulher, para além de timidamente temer e desejar ao mesmo tempo que alguém lesse, num desejo pouco secreto de partilhar, dar e receber. Corrida, experiências, vida. Assim nasceu o Blogue. A responder à simples necessidade da liberdade de expressão.

Numa época e num país onde ainda escasseavam os blogues sobre Corrida, mais ainda no que ao sexo feminino dizia respeito, surgiu a Maria, que se intitulava “uma mulher que ama a corrida”, que para além de “Diário” onde depositava muitas vezes devaneios luxuriosos, extravagantes e mórbidos, à laia de desabafos onde buscava alívio e consolo para carências e desejos, exprimindo dores e alegrias em forma de letras e imagens, utilizava o blogue também para os seus discursos sobre Provas, onde sempre procurou a isenção e a imparcialidade, coisa que confessa, nem sempre conseguiu, pois quem escreve com o coração, corre sempre o risco de errar. Tanto ou mais que os que escrevem com a cabeça, coisa que ela consegue também usar, de forma absolutamente independente do coração, quando a isso se propõe, e não raras vezes acontece.

Por outro lado, está sempre implícita em cada palavra a relação Homem/Corrida. Na sua vertente de Corrida para todos, como direito adquirido, conceito antigo mas a fazer valer ainda nos dias de hoje, que nem sempre se sente e/ou usufrui, assim como o papel que a Corrida pode desempenhar na vida dos indivíduos, com o intuito de uma melhoria da Qualidade de Vida e da Saúde, estado que se entende por um bem-estar físico, mental e social. Como exemplo, ela, a Maria, divorciada com uma filha, dona de casa e empregada, exemplo de mulher na sociedade portuguesa, mulher que gosta de correr e que se debate com as regalias e as dificuldades inerentes, quer no seu papel de mulher na sociedade, quer no de mulher que corre e que presenteia (ou tortura) os leitores com descrições próprias e menos próprias de vários episódios da sua vida. A sua vida com a sua corrida e o seu blogue é apenas um exemplo. A seguir ou a não seguir.

Com períodos mais e menos férteis, mais ou menos interessantes, a Maria dura já vai para 4 anos, tem alguns “seguidores” e admiradores, mais ainda, desinteressados e de opiniões nefastas sobre a sua escrita e postura, as visitas diárias chegam no entanto a passar a centena. Com histórias reais e inventadas, a correr mais ou a correr menos, ela lá se tem mantido, e segundo consta ainda continua por aí a fazer o que muito prazer lhe dá: Correr e Escrever.

Ana Pereira

Janeiro de 2010

Link para o blog: http://mariasemfrionemcasa.blogspot.com/

Corrida do Coração

10 Comentários

  1. Miguel Paiva 9 de Fevereiro de 2010 9:45

    Um dos primeiros blogues de corridas e/ou corredores que comecei a ler foi este. O estranho nome encontra paralelo em alguns escritos de profundo cariz pessoal que por vezes chegam a assustar, mas que nos mostram toda a sensibilidade da autora, naquilo que são as suas forças e fraquezas.
    Este é, por isso mesmo, um blog de referência, não só no âmbto da blogosfera-que-corre, mas da blogosfera em geral.

    bjs à Ana
    MPaiva

  2. António 9 de Fevereiro de 2010 10:54

    Um dos primeiros blogues de corrida que encontrei na blogosfera há já uns anos, cativou-me desde o primeiro dia, trata-se de um espaço em que as palavras são sempre muitíssimas bem tratadas, para mim, espaço de referência e do qual sou visita assídua.

    Tive o enorme prazer de conhecer pessoalmente a Ana “Maria” Pereira, foi mesmo a primeira pessoa da blogosfera e das corridas que conheci, foi numa bela tarde em São João das Lampas, já antes e criado que tinha eu próprio o meu espaço, a “Maria” foi a primeira pessoa que comentou no meu blog.

    A Ana “Maria” Pereira é mais um dos companheiros da blogosfera que com o tempo passou a fazer parte da família, muito menos do que aquilo que seria o nosso desejo é certo, ainda assim é sempre uma festa encontrar a “Maria”.

    Ela sabe a enorme admiração que nutro por ela e como a família gosta da “Maria”, também da Ana Pereira.

    Ela também sabe que um dia ainda vamos correr juntos a mesma maratona.

    Beijinhos das meninas e aquele abraço.
    Com admiração,
    O homem que corre.

  3. Fernando Andrade 9 de Fevereiro de 2010 11:53

    Foi no Forum que conheci a “Maria” que, através de uma escrita cativante, me convenceu a acompanhar em todos os seus posts. Surgiu depois o Blogue, quando eu nem sabia ainda o que isso era. Visitei-o e foi esse o meu contacto inicial com a blogosfera. Depois, foi graças à “Maria” e à sua insistência, que surgiu o “cidadão de corrida”, com dicas que ela me forneceu.
    A “Maria”, para além do gosto pela Corrida – que só por si, já seria meritório, tinha (e tem) uma forma de escrever “desafiante”.
    Verdade seja dita : a Ana e o saudoso Sálvio Nora
    são os responsáveis pela minha entrada nestas coisas da net, onde criei muito mais amigos em poucos anos do que nas 3 décadas de Corrida que levo. Se não tive tempo de agradecer ao Sálvio esta envolvência, quero deixar aqui expresso, à Ana o meu muito obrigado pelos bons momentos que vai partilhando connosco e por me ter encorajado a pôr no ecran a minha visão das coisas.
    Longa vida ao “Maria sem frio nem casa”. É esse o meu desejo.

  4. Filipa Vicente 9 de Fevereiro de 2010 13:42

    Fora de tópico: Fernando, escrever sem soneto? Ai! Multa!!!!

    Um blog que também acompanho embora nunca tenha comentado, o que me cativou primeiro foi o nome, curioso e muito original. A seguir as histórias de vida! Sem dúvida um ponto de leitura muito interessante!

  5. João Paulo Meixedo 9 de Fevereiro de 2010 15:51

    Olha mais uma cara conhecida!
    Um blog de referência, uma escritora sem medo do frio.
    Parabéns.

  6. Joaquim Margarido 10 de Fevereiro de 2010 0:26

    Para o bem e para o mal, a Ana e o Sálvio são – eles bem o sabem – responsáveis por eu me ter metido nestas alhadas das escritas. É bom encontar na Ana e em muito do que ela escreve este género de intimidade e cumplicidade que só sabe quem sente (ou só sente quem sabe).
    Ao Vitor Dias, parabéns uma vez mais pelo belo trabalho. À Ana, aquela beijoca… sempre!

  7. joaquim adelino 11 de Fevereiro de 2010 21:49

    Pela sua escrita, no início a Ana tornou-se um enigma para mim, eu que acabadinho de chegar a estas coisas modernas (como são por exemplo a grande capacidade de comunicação que significam os blogues), apanhar e deslindar, nem sempre conseguido, com textos laboriosamente construídos por si e que em alguns casos tinha de optar por ler e passar à frente para não correr o risco de opinar em matérias ás vezes difíceis de descortinar para quem chega, mas sem dúvidas cheias de sentido.
    Era assim e ainda hoje a Ana consegue conciliar tudo através da escrita, com desvios naturais conforme o objectivo que pretende alcançar, que ás vezes parecem sem sentido, (para mim, claro) e sem nunca perder o norte acaba sempre por regressar saudavelmente ao meio onde se sente como peixe na água, as corridas e as histórias que elas sempre envolvem.
    Conheci pessoalmente a Ana numa manhã nebulosa e fria em Sintra, foi-me apresentada um pouco antes da partida para mais uma Edição de Corrida do Fim da Europa em 2009, e ali estava ela sorridente e amável na companhia do seu inseparável pai. Por este facto não se perdeu o encanto mantido até então e daí para cá deu para perceber a dimensão (penso até que a Ana nem se apercebe disso), da sua influência benéfica no espaço que percorremos juntos, na corrida, no convívio, na confraternização, na solidariedade e na partilha de ideais comuns a todos como é o caso da blogosfera corredora.
    Por mim digo, obrigado Ana.
    Com um beijinho do Pára

  8. Ana Pereira 12 de Fevereiro de 2010 12:43

    Em primeiro lugar, agradeço ao Vitor a oportunidade de falar neste seu espaço, um pouco de mim, do que faço com o meu humilde blogue. De me apresentar e dar a conhecer. Felicito-o também por esta iniciativa (divulgação de blogues). Tudo o que possa divulgar a Corrida, expandindo-a, falando dela, discutindo-a, ecoando pelo mundo, fazendo-a chegar mais além, a mais e mais gente, melhor! Ganha a Corrida, ganham as pessoas!

    A todos que aqui comentaram também agradeço a todos sem excepção. Palavras que me emocionam vindas de amigos descobertos aqui neste mundo virtual, alguns já há uns anos, depois passados ao real, à Vida. Com muita comoção li algumas palavras, que me tocam, enchem o peito, engrandecem e me fazem sentir viva, não tanto porque eu existo, mas porque eles existem. Não sei se me faço entender, mas como já me conhecem, já é habitual…
    Um beijinho para todos e que os anos nos mantenham. Vivos. Aqui e ali. Na estrada e na montanha. A correr. Pela vida fora.

  9. Teresa Delaunay 12 de Fevereiro de 2010 12:47

    Ana,

    É bom ler estes comentários, vinte e tal anos como amiga que fomos fortificando ao longo dos anos faz-me sentir realmente feliz por ler comentários tão agradáveis e sentidos.
    Continua a correr, a escrever e a lutar por seres feliz… Eu embora parada, “corro” ao teu lado, com prazer de te ver um dia concretizares todos os teus sonhos!!

    Tens uma escrita linda, continua!!!

    Bjokas Boas
    TD

  10. João Hébil 16 de Fevereiro de 2010 17:27

    Tal como alguns dos que aqui escreveram sou também dos “inicios” dos forums aqui e ali, e como não com a Ana. Há outros ilustres que por aqui li o seu nome, mas para não me esquecer de outros não vou mencionar mais nenhum. A história não se repete nunca e se alguns já não podem estar connosco felizmente a maioria aí está. Eu por razões várias, a maior das quais é viver em Espanha não estou tão presente como gostaria, mas mesmo estando longe continuo a acompanhar a Ana e ela sabe disso. Assim que a animo a continuar a correr e a escrever.
    Portem-se bem.
    João Hébil

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