Asma, Alergia e Desporto: um “triatlo” duro de vencer

Autor: Ana Maria de Freitas  /   Janeiro 16, 2009  /   Publicado em Lesões e Doenças  /   17 Comentários

Asma, Alergia e Desporto: um “triatlo” duro de vencer

A asma é uma doença do foro respiratório. Consiste numa inflamação crónica a nível dos brônquios, geralmente associada a uma obstrução generalizada das vias aéreas, que em indivíduos mais susceptíveis pode provocar episódios de dispneia (falta de ar), pieira (ruído tipo assobio; “gatinhos”), sensação de aperto torácico e tosse com maior incidência no período nocturno e início da manhã. A sua reversibilidade pode ser espontânea ou medicamentosa.

Existem factores desencadeantes da asma, tais como:
• Aero-alergéneos: pêlo de animais; pólens; fungos; pó domiciliar; ácaros domésticos existentes nos colchões, tapetes, almofadas e roupa da cama;
• Infecções víricas;
• Irritantes das vias aéreas: tabagismo (passivo e activo); poluição ambiental;
• Produtos químicos;
• Frio;
• Exercicio;
• Estados emocionais.

Estes factores são na realidade importantes para o processo de manifestação da doença, no entanto, devemos salientar a predisposição genética para todo o indivíduo que tenha uma história familiar de asma ou atopia (rinite alérgica, conjuntivites, dermatites) pois mais rapidamente pode vir a apresentar a sintomatologia da doença.

No entanto, devemos considerar que a asma nem sempre é fácil de diagnosticar, atendendo a que a sua sintomatologia é em muitos casos semelhante a outras patologias respiratórias. Um exame de avaliação da função respiratória, como a espirometria – teste que permite medir o volume de ar inspirado e expirado e os fluxos respiratórios -, a confirmação da reversibilidade dos sintomas com medicação e a história da crise bem como os factores a podem ter desencadeado, auxiliam o médico a estabelecer o verdadeiro diagnóstico. Alguns exames complementares de diagnóstico, tais como um simples Rx torácico ou um Tomografia Computorizada (TAC) permitem que o médico afaste a hipótese de outras patologias.

A asma tem episódios de maior exacerbação, aquilo que vulgarmente denominamos por crise asmática. A gravidade da situação varia de pessoa para pessoa e ao longo do tempo. Os episódios podem ser de maior ou menor gravidade e são controlados por medicamentos. Os mais utilizados são os broncodilatadores (que se apresentam sob a forma inalatória e comprimidos) e os anti-inflamatórios corticosteróides. Também as vacinas de dessensibilização são frequentemente utilizadas, com maior incidência nas fases da infância e adolescência. Claro que todas estas prescrições são da inteira responsabilidade médica e variam de indivíduo para indivíduo.

Asma, Alergia e Desporto: um “triatlo” duro de vencer

A alergia é uma situação na qual o sistema imunológico do indivíduo reage a uma substância como se fosse nociva e que se encontra no meio ambiente. Uma pessoa pode ter asma, alergia ou ambas as situações. O que acontece na realidade, é que a maioria das crianças asmáticas, bem como metade dos adultos com asma, sofrem de alergias.

Podemos dizer que o mecanismo das reacções alérgicas e da asma são semelhantes: o sistema imunológico reconhece de uma forma errada determinadas substâncias como sendo nocivas ao organismo e consequentemente, liberta elementos inflamatórios (histamina, citocinas e leucotrienos) que podem provocar sintomas como pieira ou espirros. De referir que a diferença que existe entre a alergia e a asma é que a primeira engloba um vasto campo de manifestações, como por exemplo a rinite alérgica, conjuntivite alérgica e dermatite, enquanto que a asma refere-se apenas a uma condição dos brônquios.

As alterações do foro respiratório podem comprometer a prática de exercício físico. Quando o exercício se inicia, a respiração altera-se, tornando-se mais rápida, de forma a poder responder às necessidades do organismo. O ar inspirado deve entrar pelo nariz de forma a ser filtrado, aquecido e humedecido de forma a chegar aos pulmões nas melhores condições. Quando este processo não se verifica, implica que o ar chegue aos pulmões sem ter o tempo suficiente para aquecer e humidificar ao longo das vias aéreas. Estas vão perder água e calor, o que em pessoas mais susceptíveis, pode conduzir a um broncoespasmo (aperto dos brônquios). Desta forma os brônquios podem reagir, iniciando-se um processo inflamatório com produção de muco, o mesmo acontece para aqueles que tem uma rinite alérgica, pois nestas circunstancias o nariz está obstruído e consequentemente o indivíduo passa a inspirar pela boca (e não pelo nariz), logo o ar não é humidificado nem aquecido, o que vai agravar consideravelmente a situação.

Na realidade, a prática de exercício fisco é um grande estímulo para a indução de sintomatologia respiratória num doente asmático. A asma induzida pelo exercício (AIE), é uma crise asmática, onde o indivíduo refere tosse, pieira e sensação de aperto torácico, e que surge com a intensidade do exercício. Sabemos que existe um elevado número de desportistas que apresentam estes sintomas durante ou após a prática do exercício. Por outro lado, muitas pessoas com alergia mesmo que habitualmente não tenham asma podem manifestar sintomas da doença quando fazem exercício. Em regra os seus sintomas aparecem logo no inicio do exercício e tende a agravar nos 15 minutos seguintes.

Como pode o exercício físico “viver” com a Asma?
Uma das maiores problemáticas é na realidade conciliar a prática do exercício físico com uma situação em que existe um problema respiratório. Se o exercício aumenta, a respiração altera-se de forma a poder responder às exigências da situação na qual se encontra. Sabemos que os médicos são frequentemente confrontados com decisões de aconselhamento relacionado com o tipo ou modalidade desportiva para um doente asmático.

Em tempos remotos os doentes que carregavam consigo o “fardo” da asma, viam a sua actividade física demasiadamente limitada, devido ao facto de existir o medo de desencadear uma crise aquando a actividade física. Actualmente isso não se verifica. A asma é uma doença que pode ser controlada medicamente, desde que seja feito um plano adequado à pessoa, independentemente da idade que tenha. Desta forma o doente asmático pode e deve praticar a sua actividade desportiva preferida ao mesmo nível de um indivíduo não asmático, mesmo a nível competitivo e olímpico! Podemos referir alguns atletas famosos em todo o mundo que tiveram a asma como companheira do seu quotidiano, são eles o ciclista Miguel Indurain, a corredora Rosa Mota ou o tenista Nuno Marques.

Apesar de tudo podemos considerar que existem modalidades desportivas consideradas de maior risco ou mais vulneráveis, são elas os desportos ao ar livre ou mais expostos ou frio (ciclismo, desportos de inverno), a natação e o atletismo, principalmente os corredores de fundo, pois os pulmões são forçados a trabalhar arduamente e serão estes indivíduos que mais rapidamente poderão desencadear uma crise asmática. A natação é um bom desporto para aqueles que tem asma, na medida em que tem factores positivos: a atmosfera que lhe proporciona é húmida e quente, facilita o treino muscular dos músculos respiratórios e a posição horizontal mobiliza a expulsão do muco. No entanto, o contacto com o cloro existente na água pode ser comprometedor para a parte respiratória e ser um factor desencadeante de uma crise.

Torna-se, fundamental melhorar a eficácia e a eficiência da prestação de cuidados de saúde ao doente asmático, de forma a melhor o habilitar e capacitar a autocontrolar a sua doença. Encorajar a prática de qualquer modalidade será um benefício para o seu praticante. A asma não é uma contra-indicação para praticar desporto, antes comporta inúmeros benefícios para os doentes. O sedentarismo, pode ter consequências nefastas para a saúde, pois sabemos que conduz ao excesso de peso e à obesidade, e estes factores estão associados a um pior prognóstico da asma.

Em termos conclusivos, torna-se imperativo terminar com o mito de que o exercício físico é prejudicial para os asmáticos. A ignorância, a ausência de um correcto diagnóstico, uma fraca adesão ao tratamento prescrito pelo médico e um mau controlo da doença, faz realmente mal à saúde de todos aqueles que são portadores da doença. A asma não deve ser de forma alguma, um impedimento para a prática de qualquer actividade física. Seja um desporto de lazer, de alta competição ou uma simples aula de educação física deve ser praticada por todos aqueles que apreciam a sua prática.

Ana Maria de Freitas
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17 Comentários

  1. carlos lopes 16 de Janeiro de 2009 19:17

    eu tenho bronquite cronica e graças a corrida, deixei ter ataques, ainda mais fumava,, bom post

  2. Sara 19 de Fevereiro de 2009 11:08

    Tenho asma desde que nasci, é genético , mas quando estou constipada custa-me muito, tenho tosse muito intenssa “tosse de cão” , custa-me muito .

  3. lucidalva 4 de Março de 2009 23:01

    Olá! tudo bem?
    Tenho asma crônica des dos oito anos de idade 31 anos, e uso a bombinha AERON SPRAY todos os dias em quase todos os momentos da minha vida , tenho também rinite o nariz o todo o tempo obstruido uso Sorine também se não eu não consigo dormir. Gostaria que me ajudasse como posso melhorar? quando vou ao hospital me colocam no balão de oxigênio,é muito ruim .
    Grata,

  4. Ana Maria de Freitas 7 de Março de 2009 22:09

    Ola Lucidalva.
    Um doente asmático tem que aprender a viver com a sua doença. Para quem aguenta o “fardo” desde os 8 anos de idade é realmente duro. No entanto deverá conhecer bem todos os factores que desencadeiam as suas crises e se possível elimina-los ou evitá-los. É orientada por um alergologista ou pneumonologista? A medicação é importante mas não suficiente para ter qualidade de vida. Pratica algum desporto? o exercício físico permite melhorar a capacidade respiratória aumentando gradualmente a resistência pulmonar. Já experimentou fazer cinesiterapia respiratória? É a reabilitação ideal para os asmáticos. se precisar dou umas dicas.
    Atenciosamente.

  5. GUILHERME GUIMARAES 24 de Março de 2009 11:52

    Ola, gostei muito dessa materia sobre a Asma. Desta forma, gostaria de saber de uma coisa, eu tenho asma, ja fui fumante, e uso bronco dilatador (Fluir em aerosol) Decidi a 2 meses a correr na esteira, e em alguns dias eu corro na rua. Estou tendo uma evoluçao, no meu tempo de corrida, pois comecei com trote de 2 minutos e descando de 2m, agora corro 10m e descanso 2m. Voce acha que eu deveria procurar um medico alergista ou pneumologista?

  6. ANDREA MATHIAS RODRIGUES 9 de Abril de 2009 0:52

    Oi, meu esposo te esporão de calcaneo gostaria de saber se alguma coisa que possa fazer para voltar a correr faz 8 meses que ele parou com as corrida.

  7. Isabel 17 de Julho de 2009 12:54

    Bom texto. Li com TODA A ATENÇÃO !!!!! Hoje estou com imensa asma (já é “defeito de fabrico” – como costumo dizer), e a ventania é imensa. Resultado : não saio de casa ……
    Mas, por norma, e quando a asma “me deixa em paz”, ando 6kms/dia (demoro cerca de 1 hora), e vou ao ginásio 3 vezes por semana.
    Tenho 6o anos e sempre fui muito activa. Durante as crises (que quase passaram entre os 30 e 50 anos …..), tomo cortisona e broncodilatadores. Faço , também, respiração com oxigénio e/ou Ventilan. Depois de “velha” as crises são cada vez mais frequentes. Mas, dizem os “entendidos”, é normal. Será ??????
    Tudo de bom para os “frequentadores” deste BLOG.

  8. Ana Maria de Freitas 17 de Julho de 2009 22:57

    Ola Isabel. Lamento saber que tem crises frequentes, pois acredito que são muito maçadoras e alteram muito a qualidade de vida. Realmente um asmático faz esse tipo de medicação, no entanto sabemos que as caminhadas ajudam muito a melhorar a performance respiratória. A cinesiterapia respiratória é excelente para melhorar a função respiratoria e ajuda muito a evitar o aparecimento das crises. Espero que o seu médico seja pneumonologista.
    Qualquer duvida, disponha.

  9. Rachel Batista 23 de Dezembro de 2010 19:43

    Desde criança tive crises de asma, porém meus pais me fizeram fazer todo tipo de esporte durante toda minha infância, principalmente os aeróbicos como corrida e natação. Quando adulta quase não tenho crises, mas estou precisando de correr e estou treinando a 6 meses, para prova policia, mas tenho tido falta ar e aperto no peito no inicio, mas conforme continuo correndo melhora, mas esta prejudicando o tempo que tenho qque alcançar. Tem algum remédio que posso tomar para correr melhor?
    Agradeço a atenção.

  10. patrick 16 de Julho de 2011 19:03

    Olá, sou uma pessoa que tem asma todos que conheço dizem que ela é nível 3, eu fico muito triste porque todo dia, corro um pouco já não consigo respirar, Tenho asma dez dos 5 anos. Então agradeço a esse site por me mostrar, que a vida de um asmático, não é um inferno, e que tem maneiras de reduzir esses sintomas. Fico muito feliz por me fazer ter esperança em fazer exercícios no dia dia.
    to até chorando de tanta emoção!

  11. joelma vitor carvalho 15 de Fevereiro de 2012 11:00

    oi ,sou asmatica desde criança ,hoje estou com 40 anos e ela esta um pouco controlada devido ao medicamento chamado foraseq,esta sendo muito bom,caminho todos os dias em passos largos mais ainda não consigo correr,pois me da uma falta de ar terrivel,tento pois gostaria de correr,pois sinto que me falta isso mais não dá!estou sempre lendo sobre esse assunto pois me interessa muito,pois minha vida toda foii viver em consultorios mdicos em busca de novos tratamentos,então esse ultimo que estou fazendo esta controlando bem as minhas crises!

  12. Vivian 11 de Fevereiro de 2014 12:33

    Bom dia. tambem sou asmatica desde crianca e tiveram epocas que as crises eram intensas (de ir ao hospital). Percebo que piora no inverno. Sempre fui sedentaria demais. E quando caminhava um pouquinho, ja sentia que precisava usar berotec spray, virando inclusive um “vicio”. Tambem sempre tive renite. Dormia mal e isso tudo influencia, Como disse meu medico, uma coisa interfere na outra. Mas de um ano procurei tratamento com um pneumologista, onde faco tratamento diario para renite e para Asma. Cada paciente tera o tratamento de acordo com os resultados de exames. O problema sempre foi que a maioria das pessoas apenas procuram o medico, em crise ou quando realmente precisam. Esta errado. Ou entao, de fazer o tratamento, quando esta “atacado”. Errado tambem. Aprendi a usar e conviver diariamente com os remedios prescritos pelo medico, independente de estar bem ou nao e isso me trouxe resultados muito positivos, DE VERDADE. Entao me senti “menos medrosa” em comecar uma atividade fisica (no meu caso, gosto de caminhar ao ar livre e aprender a correr). Claro que da medo (de me sentir mal e dar outra crise, pois apenas quem sente dificuldade em respirar sabe o quanto isso e ruim). Mas fui mesmo assim, comecando devagar, isso faz uns 4 meses. Hoje quase nao sou mais dependente de berotec spray (ando com ele, mas nao uso mais). Continuo meu tratamento, estou aprendendo a lidar com minha respiracao quando caminho e corro e ACONSELHO SIM, a todos, fazer atividade fisica! A mais pura verdade – AJUDA MESMO, voce sente a diferenca!

  13. Lucidalvo 15 de Maio de 2014 9:26

    Obrigainho peças informaloes

  14. carlos 10 de Maio de 2015 16:17

    Bom dia a todos, eu tenho 34 anos e tenho asma desde que nasci, tenho desvio de séptico e alergia, vivo mto bem. .antes qndo praticava artes marciais vivia mto melhor não sentia nenhuma crise, hj as vezes sinto mto raramente! !! mas evito pó, evito comer a noite e refrigerantes, e diclofenaco de sódio, de resto faço tudo. Graças a Deus.

  15. jonaci andrade de sousa 16 de Fevereiro de 2017 20:54

    gostaria de receber informacoes sobre como tratar a asma por favor.

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